Fazenda pede adiamento de PEC que altera aposentadoria de agentes

Ministro Dario Durigan solicita cautela ao Senado para avaliar impacto fiscal estimado em até 30 bilhões de reais antes da promulgação da medida.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Fazenda pede adiamento de PEC que altera aposentadoria de agentes
© Tomaz Silva/Agência Brasil

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O Ministério da Fazenda solicitou, nesta quarta-feira (15), que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adie a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. A proposta, aprovada pela Casa na última terça-feira (14), cria critérios diferenciados de tempo de contribuição e idade mínima para esses profissionais. Segundo o ministro Dario Durigan, a solicitação visa garantir tempo para que União, estados e municípios calculem os custos orçamentários da medida antes que ela entre em vigor.

Preocupação com o impacto federativo

Durigan destacou que a equipe econômica estima um impacto fiscal entre 27 bilhões e 30 bilhões de reais na próxima década. A preocupação, no entanto, não se restringe aos cofres federais, uma vez que a implementação de benefícios como paridade e integralidade também exigirá aportes significativos de estados e municípios. O ministro relatou ter recebido questionamentos de diversos gestores locais, que alertam para a dificuldade de absorver os custos dessa despesa permanente sem uma fonte de custeio definida na proposta.

Possível judicialização

Diante do cenário fiscal, o governo federal não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a PEC seja promulgada sem a devida indicação da origem dos recursos. A Fazenda sustenta que a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal exigem que a criação de despesas dessa natureza seja acompanhada da respectiva fonte de compensação financeira. Para o governo, a adoção de medidas que comprometam o equilíbrio das contas públicas sem planejamento fere o regime de austeridade fiscal necessário para a manutenção dos serviços públicos.

Mudanças propostas

A PEC busca criar um regime previdenciário específico para os agentes, reconhecendo as condições diferenciadas de trabalho da categoria. O texto aprovado pelos senadores prevê a aposentadoria após 25 anos de efetivo exercício na função, estabelecendo idades mínimas de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens. A proposta também estende os benefícios a agentes indígenas de saúde e de saneamento, garantindo, para determinados grupos, a paridade e a integralidade dos vencimentos. Atualmente, esses profissionais seguem as regras gerais da Previdência estabelecidas pela reforma de 2019.

Perguntas frequentes

Por que o governo pediu o adiamento da promulgação da PEC?

O governo solicita tempo para que a União, estados e municípios possam calcular o impacto fiscal da medida nas contas públicas.

Qual é a estimativa de custo da proposta?

Segundo o Ministério da Previdência Social, a PEC pode gerar um custo de 27 bilhões a 30 bilhões de reais ao longo dos próximos dez anos.

Quais as principais mudanças previstas para os agentes?

A PEC prevê aposentadoria com 25 anos de exercício, idade mínima de 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens), além de paridade e integralidade para beneficiários.

O governo pode recorrer ao STF?

Sim. O Ministério da Fazenda indicou que poderá acionar o STF caso a PEC seja promulgada sem a previsão de fontes de custeio para o novo benefício.

 

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