O Ministério das Relações Exteriores confirmou, na tarde desta sexta-feira, a revogação do visto de Darren Beattie, assessor especial do governo de Donald Trump. O funcionário americano tinha planos de desembarcar no Brasil na próxima semana, mas teve a autorização cancelada sob a justificativa de omissão e falseamento de informações no formulário de solicitação.
A medida ganha contornos de crise diplomática após declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em agenda no Rio de Janeiro, o mandatário brasileiro afirmou que Beattie só entrará no território nacional quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver sua situação migratória regularizada nos Estados Unidos.
O embasamento legal utilizado pelo Itamaraty aponta que a legislação nacional e internacional permite a denegação de vistos quando o solicitante não é transparente sobre os reais motivos da viagem. No caso de Beattie, a intenção de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão não teria sido devidamente comunicada à diplomacia brasileira.
Impasse político e o papel do Judiciário
A tentativa de visita já havia sido barrada no campo jurídico pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido de Bolsonaro para se encontrar com o assessor norte-americano. A decisão fundamentou-se no fato de que a visita não constava na agenda oficial do governo estrangeiro no Brasil, o que descaracterizaria o caráter institucional da viagem.
Além disso, o Itamaraty apresentou um parecer técnico ao Judiciário onde considera inapropriado o encontro de um funcionário de Estado com um ex-presidente detido, especialmente em um ano de processo eleitoral. O governo brasileiro sinalizou internamente que a medida também funciona como uma resposta política para garantir a proteção e a dignidade de seus ministros de Estado frente a restrições internacionais anteriores.
Histórico dos vistos de Alexandre Padilha
A tensão entre Brasília e Washington sobre este tema específico remonta a 2025, quando os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha. Na ocasião, o visto oficial do próprio ministro estava vencido, o que impediu o cancelamento direto, mas gerou um bloqueio administrativo para novas emissões.
O presidente Lula reforçou que a restrição a Beattie é uma forma de garantir reciprocidade e proteção ao seu gabinete. Darren Beattie, que atua no Departamento de Estado dos EUA com foco em assuntos brasileiros, pretendia utilizar a viagem oficial para realizar a visita privada, o que foi interpretado como um desvio de finalidade diplomática pelas autoridades nacionais.









































