A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), mais de 20 requerimentos que atingem o núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Avenida Faria Lima. O foco principal recai sobre o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, além de um grupo de comunicação paralelo apelidado de “A Turma”, utilizado para monitorar e ameaçar opositores e profissionais da imprensa.
Entre as medidas mais contundentes estão as quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico de figuras centrais, como Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário” — aliado de Vorcaro que atentou contra a vida após ser preso pela PF — e de Mohamad Hussein Mourad, apontado como operador do esquema de lavagem de dinheiro. A CPI também convocou Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, devido a conexões financeiras entre o Banco Master e a Reag Investimentos com o crime organizado.
Corrupção no Banco Central e Lavagem de Bilhões
A investigação avançou sobre o Banco Central com a convocação de dois ex-servidores de alto escalão: Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. Relatórios da Polícia Federal indicam que ambos atuaram como consultores informais de Vorcaro, vazando informações sigilosas para facilitar a compra do antigo Banco Máxima. A empresa Varajo Consultoria também teve seus sigilos quebrados por suspeita de intermediar pagamentos a servidores públicos.
No eixo da Operação Carbono Oculto, a CPI mira Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, acusado de gerir uma rede de postos de combustíveis que movimentou R$ 52 bilhões para o PCC. O esquema utilizava fundos de investimento sofisticados na Faria Lima para ocultar a origem ilícita dos recursos. Outros nomes conhecidos, como Francisco Maximiano (da Precisa Medicamentos), também tiveram os sigilos quebrados por suspeita de utilizarem suas empresas como veículos para a lavagem de dinheiro da facção.
Intimidação e “Carona” em Jatinhos
A CPI também detalhou o funcionamento da “Turma”, que chegou a planejar agressões físicas contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Foram aprovadas as convocações de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, suposta financiadora do grupo, e Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF apontado como operador das intimidações.
Por fim, a comissão solicitou a lista de passageiros de aeronaves ligadas ao grupo Master. Há indícios de que autoridades da República teriam recebido “caronas” em jatinhos particulares, o que pode configurar tráfico de influência. O empresário Vladimir Timerman, que há anos denunciava fraudes na instituição, foi convidado para prestar depoimento e auxiliar no esclarecimento do rombo financeiro estimado em R$ 50 bilhões.








































