O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, na noite desta terça-feira, 3, que a extinção da jornada de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) seja definida por meio de uma negociação direta entre trabalhadores, empresários e o governo federal. Durante a abertura da Segunda Conferência do Trabalho, realizada no Anhembi, em São Paulo, Lula argumentou que um acordo tripartite é a via mais segura para garantir benefícios reais à classe trabalhadora sem desestabilizar a economia brasileira. Para o presidente, uma proposta negociada reduz as chances de o texto final ser desfigurado pelo Congresso ou sofrer contestações judiciais futuras.
Lula enfatizou que o papel do governo será o de mediador, buscando uma solução “harmonizada” que não prejudique o setor produtivo, mas que avance na pauta do trabalho decente. “É melhor vocês construírem negociando do que terem que engolir uma coisa aberta vinda do Congresso”, alertou aos representantes sindicais presentes. O Ministério do Trabalho e Emprego vê na conferência, que segue até o dia 5 de março, a oportunidade ideal para estabelecer as diretrizes dessa transição de jornada, que tem sido um dos temas mais debatidos na agenda social e política do país em 2026.
O debate sobre a redução da jornada de trabalho ganha força em um contexto de mudanças tecnológicas e aumento da produtividade, mas enfrenta resistência de setores do comércio e serviços, que alegam risco de aumento nos custos operacionais. A estratégia de Lula de evitar que o governo “penda para um lado” busca suavizar essa resistência, condicionando o apoio do Executivo a um consenso que preserve o emprego formal. A conferência no Anhembi reúne lideranças de diversas centrais sindicais e federações empresariais para discutir não apenas a escala 6×1, mas também políticas de inclusão e segurança no trabalho.
A expectativa agora é que as mesas de negociação técnica sejam instaladas nas próximas semanas para detalhar como a redução da jornada poderia ser implementada — se de forma gradual, por setores específicos ou por meio de incentivos fiscais. O governo federal pretende enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional com o “selo do acordo”, o que facilitaria a tramitação e daria maior previsibilidade jurídica para as empresas. A proposta representa uma das principais promessas de reformulação das relações de trabalho no atual mandato, com foco no bem-estar e na saúde mental dos colaboradores.











































