O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reafirmou nesta segunda-feira, 23, que a extinção da escala de trabalho 6×1 é uma das metas centrais do governo federal para 2026. Em entrevista à Rádio Nacional, Boulos defendeu a transição para um modelo de, no máximo, cinco dias de trabalho por dois de descanso (5×2), com a redução da jornada para 40 horas semanais sem que haja cortes nos salários dos trabalhadores.
O ministro minimizou a resistência do setor empresarial, comparando o debate atual a momentos históricos como a criação do 13º salário e das férias remuneradas. Segundo Boulos, as previsões pessimistas sobre o colapso da economia diante de novos direitos trabalhistas nunca se confirmaram. Ele destacou que a dignidade do trabalhador é compatível com o crescimento econômico e que o governo está empenhado em avançar com essa reforma legislativa.
Além da jornada de trabalho, Boulos listou a PEC da Segurança Pública como prioridade para consolidar a estrutura do novo Ministério da Segurança Pública. Outro ponto focal de sua gestão este ano será a regulação dos aplicativos de transporte e entrega. O ministro classificou como “inaceitável” que empresas fiquem com até 50% do valor das corridas sem arcar com custos de manutenção dos veículos, defendendo a fixação de taxas de repasse que protejam a renda dos motoristas e entregadores.
Ainda nesta segunda-feira, o ministro retorna a Brasília para mediar um conflito com lideranças indígenas do Pará. O grupo protesta contra o decreto que incluiu hidrovias estratégicas, como as dos rios Madeira e Tapajós, no Programa Nacional de Desestatização (PND). Boulos sinalizou que apoia as reivindicações das comunidades tradicionais e acredita em um desfecho positivo para a revogação ou alteração da medida, visando proteger a soberania alimentar e o meio ambiente.
O debate sobre as hidrovias ganhou força após a ocupação de escritórios de multinacionais em Santarém, no último fim de semana. Boulos ressaltou que, embora o decreto tenha sido publicado antes de sua posse no ministério, ele atuará como ponte entre os movimentos sociais e as demais pastas do governo para garantir que os direitos dos povos indígenas sejam respeitados nas decisões sobre infraestrutura logística.









































