A Corte de Apelação de Roma finalizou, nesta quinta-feira, 12, as audiências sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Após ouvir representantes do governo brasileiro e a defesa, o tribunal italiano entrou em fase de deliberação para proferir a sentença final.
Zambelli está detida na Itália desde 29 de julho de 2025. Ela viajou para o país europeu, do qual possui cidadania, pouco antes de se esgotarem os recursos de uma condenação de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O processo de extradição sofreu adiamentos em dezembro e janeiro para análise documental. Recentemente, a Justiça italiana rejeitou um pedido da defesa para substituir os juízes do caso, sob alegação de parcialidade, mantendo o rito processual.
Condenações e perda de mandato
A ex-parlamentar foi condenada pelo STF por comandar a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023. Além disso, possui outra condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, referente ao episódio em que perseguiu um homem em São Paulo.
Em decorrência das sentenças em regime fechado, Zambelli teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados. A decisão seguiu determinação do Supremo, que considerou a pena de prisão incompatível com o exercício das funções parlamentares.
O governo brasileiro, por meio do ministro Alexandre de Moraes, reforçou o pedido de extradição garantindo que o sistema prisional nacional atende aos requisitos internacionais. Foram apresentados relatórios sobre a segurança e a assistência médica da unidade destinada à ex-deputada.
Próximos passos jurídicos
A expectativa agora recai sobre a decisão dos magistrados italianos, que avaliarão se os crimes cometidos no Brasil autorizam a extradição de uma cidadã ítalo-brasileira. A defesa argumenta contra a medida, enquanto o Ministério Público italiano já se manifestou no processo.
Caso a extradição seja concedida, Zambelli deverá ser escoltada pela Polícia Federal até o Brasil para o cumprimento imediato das penas. A sentença será publicada nos canais oficiais da justiça italiana assim que for redigida.
A situação é acompanhada de perto pelas autoridades diplomáticas dos dois países. O desfecho do caso pode estabelecer um importante precedente para a cooperação jurídica internacional entre Brasil e Itália em casos de crimes cibernéticos e contra a administração pública.










































