No Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, lideranças em Rondônia reforçam a importância da resistência contínua pelos direitos, territórios e dignidade dos povos originários. Para Ivaneide Bandeira Cardozo, a Neidinha Suruí, da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, a luta indígena não se limita a uma data: “Todo dia é dia de luta”, afirma, ao contextualizar os desafios atuais diante de retrocessos políticos.
A data remete à Batalha de Caiboaté, em 1756, quando Sepé Tiaraju e cerca de 1.500 indígenas guarani resistiram à expulsão de seus territórios, marco que fundamenta a Lei 11.696/2008, reconhecendo oficialmente a luta indígena pela terra, identidade e dignidade.
Neidinha destaca que a flexibilização de leis ambientais e propostas como o marco temporal ameaçam territórios indígenas, favorecendo a grilagem e propagação de desinformação. A ação de retirada de invasores da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau exemplifica a necessidade de cumprimento da lei e proteção dos territórios demarcados.
A luta indígena também é global. Segundo Neidinha, povos originários em todo o mundo enfrentam desafios semelhantes, ligados à defesa dos territórios e à proteção ambiental, sendo essenciais para o equilíbrio climático e a preservação de recursos hídricos.
A juventude indígena, representada por Walelasoeikigh Suruí, a Kin Suruí, atua em múltiplas frentes, fortalecendo participação política, valorização cultural, direitos das mulheres e LGBTQIAPN+, além da justiça climática. “É um dia importante para dar visibilidade à luta dos povos indígenas”, afirma.
O Parlamento estadual, através da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Rondônia, reforça a responsabilidade institucional na defesa dos povos indígenas. O deputado Ribeiro do Sinpol destaca a fiscalização, criação de leis e políticas públicas, como o Projeto de Lei da Política Estadual de Saúde Indígena (PLO 1178/25), que inclui tradutores e integração de saberes tradicionais, além de investimentos em infraestrutura e diagnósticos nas comunidades.
As lideranças enfatizam que respeitar os povos indígenas é respeitar a Constituição, os territórios ancestrais e o futuro coletivo, alertando para os riscos de invasões e uso político das terras indígenas. Kin Suruí reforça: “Nós somos os guardiões da floresta… protegemos não apenas para nosso bem, mas para o bem de todos”.










































