O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu nesta quarta-feira, 21, o fim da escala de trabalho 6×1. Durante entrevista ao programa Bom dia, Ministro, ele argumentou que a redução da jornada pode aumentar a produtividade da economia brasileira, citando exemplos de empresas e países que adotaram regimes de descanso mais amplos com resultados positivos em suas receitas.
Boulos apresentou dados da Fundação Getulio Vargas de 2024, que indicam aumento de faturamento em 72% das empresas que reduziram a jornada voluntariamente. O ministro destacou que o descanso adequado permite ao trabalhador desempenhar melhor suas funções, citando ainda o caso da Islândia, onde a economia cresceu 5% após a adoção de 35 horas semanais em 2023.
A proposta em debate no governo prevê a redução das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem corte salarial, estabelecendo o limite de cinco dias de trabalho por dois de folga. Para viabilizar a mudança, o Executivo estuda um período de transição e compensações financeiras voltadas a micro e pequenas empresas, buscando reduzir resistências no setor produtivo.
Durante a entrevista, o ministro também criticou a atual taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano pelo Banco Central. Segundo Boulos, o custo elevado do crédito é o principal entrave para o crescimento dos pequenos negócios e para o investimento em tecnologia pelo setor privado, o que impacta diretamente a competitividade nacional.
O tema ganha força no Congresso Nacional, onde tramita a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025. A expectativa do governo é que o tema seja votado ainda no primeiro semestre deste ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá o rumo dos juros, está marcada para os dias 27 e 28 de janeiro.





































