O governador Marcos Rocha abriu o ano com uma entrevista marcada por bastidores, recados políticos e uma defesa enfática do que chama de “sinceridade” no exercício do cargo. Ao vivo na SIC TV, Rocha disse estar “muito feliz” por voltar à emissora onde, segundo ele, foi entrevistado ainda na campanha de 2018, e afirmou que o ritmo de trabalho não dá trégua, incluindo fins de semana e decisões tomadas desde cedo.
A conversa, conduzida por Everton Leoni, teve como pano de fundo a pergunta que, nas palavras do próprio apresentador, “não quer calar”, a possibilidade de o governador disputar uma vaga no Senado. Antes de responder, Rocha reconheceu a repercussão e o interesse do público, comentou sobre a movimentação nas redes e entrou no ponto central, sua posição atual é permanecer no cargo até o fim.
“Quando tomo uma decisão é muito difícil voltar atrás”, afirmou, ao reforçar que, hoje, o plano é concluir o mandato. Ainda assim, ele admitiu que, em política, decisões podem ser revistas, citando a ideia de que “a vida tem dessas coisas” e deixando uma fresta aberta ao dizer que mudanças poderiam ocorrer “se for da vontade de Deus”.
Apesar da porta entreaberta, o governador foi direto ao explicar o que considera um limite pessoal e político. Segundo ele, não pretende “entregar o governo do estado de Rondônia” a alguém em quem não confia, usando a palavra “traiu” para descrever a ruptura com o vice-governador e afirmando que, se alguém o traiu após receber confiança, poderia trair também a população. No mesmo trecho, Rocha reclamou do que chamou de recortes e distorções, dizendo que “apanha por ser sincero” e que sua fala costuma ser reduzida a pequenos trechos por páginas que buscam polêmica.
O tema da relação com o vice ganhou um exemplo concreto na narrativa do governador. Rocha relembrou um episódio ocorrido durante uma viagem a Israel, quando, segundo ele, o deputado Jean Oliveira teria articulado uma proposta para garantir que o governador pudesse responder pelo Estado à distância, algo que já aconteceria em outros Poderes. De acordo com Rocha, o vice teria acionado a Justiça para tentar impedir essa medida, fato que, para ele, representou um marco de quebra de confiança e dificultou qualquer recomposição.
Ao longo da entrevista, Marcos Rocha buscou amarrar a decisão de permanecer no governo a um objetivo específico, entregar ações consideradas estruturantes, com destaque para a área da saúde. Ele citou melhorias em hospitais, reformas e ampliação de serviços, defendendo que, apesar de problemas pontuais, houve evolução. Entre os exemplos mencionados, apareceram o Hospital de Base, o João Paulo II, o Regina Pacis (citado como unidade adquirida no período da pandemia), além de unidades no interior, como Vilhena e Guajará-Mirim, apresentadas como parte de um esforço para elevar o padrão de atendimento.
Nesse contexto, um dos trechos mais longos e detalhados foi sobre o projeto de um novo hospital. Rocha disse que sonha com isso “todos os dias” e atribuiu a demora a fatores como a pandemia e, principalmente, o que classificou como abandono de obra por uma empresa contratada, descrevendo o episódio como um “calote na execução”. Segundo o governador, o Estado levou cerca de dois anos para retirar a empresa e existe uma multa citada na entrevista no valor de R$ 35 milhões.
O caminho atual, conforme a fala do governador, não seria necessariamente erguer um prédio do zero, mas comprar um imóvel para viabilizar a estrutura hospitalar. Ele afirmou que o processo estaria sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas, mencionando apoio do presidente Wilber Coimbra e uma equipe técnica analisando os trâmites. Também citou a existência de recursos e lembrou um aporte mencionado durante a entrevista, de R$ 50 milhões, que teria sido “feito render” para compor o projeto, além de contrapartida do próprio governo.
A área da saúde voltou a ser destaque quando uma pergunta do público tratou da suspensão de cirurgias de joelho vinculadas a um serviço especializado. Durante o programa, o secretário Jefferson Rocha enviou uma atualização lida ao vivo, informando que o atendimento relacionado à IRB Prime Care, especializada em prótese de joelho, deve retornar com a abertura do exercício financeiro. A mensagem também citou atuação da empresa em áreas como neuroclínica, POC e ortopedia eletiva, e ressaltou que urgências continuariam sendo atendidas no Hospital de Base. Ainda no mesmo recado, foi mencionado um investimento de R$ 60 milhões em cirurgias eletivas, incluindo oftalmologia, com a afirmação de que filas teriam sido zeradas na regulação, ponto destacado como “inédito”.
No tom geral, Marcos Rocha alternou justificativas técnicas, relatos pessoais e comentários políticos. Ao falar de assistência social, por exemplo, disse que a ação não é “privilégio da esquerda” e defendeu programas que, segundo ele, tiram famílias da dependência ao incentivar capacitação e empreendedorismo, citando iniciativas como o Programa Vencer e cursos do IDEP.
A entrevista, que começou leve com agradecimentos e memórias de 2018, terminou com o governador reforçando a ideia de que a população deve escolher “pessoas sérias” e evitar “enganadores”, enquanto mantém, publicamente, a posição de concluir o mandato, com o projeto do hospital como um dos argumentos centrais para permanecer no cargo.










































