O delegado da Polícia Federal em Guajará-Mirim, Francisco Ney, detalhou nesta quarta-feira, 21, as investigações sobre o sequestro e tortura de uma cidadã boliviana praticados por duas brasileiras. As suspeitas, que atuam como médicas, foram presas preventivamente no último domingo, 18, em uma operação autorizada pela 1ª Vara de Garantias de Porto Velho.
De acordo com a Polícia Federal, a vítima foi atraída para o território brasileiro sob o falso pretexto de receber um presente para seu filho menor de idade. Ao atravessar a fronteira no porto oficial de Guajará-Mirim, a mulher foi levada pelas investigadas para um sítio na zona rural, onde permaneceu em cárcere privado e sofreu atos de crueldade.
No cativeiro, a cidadã boliviana foi submetida a agressões físicas com diversos materiais e teve o cabelo cortado à força pelas agressoras, em um ato descrito pela polícia como tortura e humilhação. O delegado ressaltou que a PF assumiu o caso devido à repercussão internacional e ao fato de o Brasil ser signatário da Convenção Internacional de Prevenção à Tortura.
A competência da Polícia Federal para investigar crimes comuns dessa natureza é amparada pela Lei 10.446, que permite a atuação da instituição em delitos que exijam repressão uniforme e tenham impacto interestadual ou internacional. As investigadas devem responder pelos crimes de tortura, sequestro e cárcere privado, conforme a Lei 9.455/1997 e o Código Penal.
As duas mulheres permanecem presas no sistema prisional à disposição da Justiça. A investigação continua para apurar se houve a participação de outras pessoas no planejamento da emboscada ou na manutenção do cativeiro. O caso gerou forte impacto diplomático na região de fronteira entre Brasil e Bolívia.






































