Especialistas alertam para risco de interferência cibernética dos EUA e uso de big techs nas eleições brasileiras

Analistas apontam escalada de tensões diplomáticas e memorando assinado em Washington como ameaças à soberania e ao processo eleitoral de outubro.

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Especialistas alertam para risco de interferência cibernética dos EUA e uso de big techs nas eleições brasileiras
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia da informação alertam para o risco de ações cibernéticas conduzidas pelo governo dos Estados Unidos e de manipulação digital por meio de empresas de grande porte do setor tecnológico, as chamadas big techs, com o objetivo de influenciar as eleições gerais previstas para outubro de 2026 no Brasil. A escalada de medidas adotadas pela gestão de Donald Trump contra o país, que inclui desde a imposição de tarifas comerciais até o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, sinaliza a possibilidade de novas investidas, sobretudo no campo cibernético.

A avaliação é compartilhada por analistas consultados pela Agência Brasil, a exemplo do pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação. O editor do portal Código Aberto destacou que um memorando assinado pelo governo norte-americano autoriza a utilização de plataformas tecnológicas privadas em operações de vigilância e efeitos cibernéticos.

“Os efeitos desse memorando são assustadores. A gente está falando de espionagem e ação de hackeamento de altíssimo nível e muito profundo. Eles podem entrar literalmente no perfil de qualquer pessoa para fazer relatórios e dossiês para favorecer ou prejudicar determinado candidato”, afirmou o especialista, ressaltando a vulnerabilidade dos sistemas digitais brasileiros e a necessidade de o país desenvolver infraestrutura própria.

Estratégias subterrâneas e descredibilização institucional

Diferentemente de ações diplomáticas públicas, as operações cibernéticas podem ocorrer de maneira oculta, dificultando a rastreabilidade da autoria. Para o professor de história e especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos, há indicativos claros de tentativas para descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro, utilizando as redes sociais para canalizar e influenciar recortes demográficos específicos da população.

Vasconcelos aponta que a proximidade entre executivos de gigantes da tecnologia e o governo dos Estados Unidos evidenciada pela nomeação de líderes de companhias como Meta, OpenAI e Palantir para postos militares em 2025 reforça o alinhamento corporativo com a nova doutrina de segurança nacional norte-americana. O documento estabelece a premissa de maior influência geopolítica na América Latina, considerando o Brasil uma peça-chave no cenário hemisférico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos apontados por especialistas em relação às eleições brasileiras de 2026?

Especialistas alertam para a possibilidade de ações cibernéticas ofensivas e manipulação de dados por meio de big techs, articuladas para interferir no processo eleitoral e descredibilizar o sistema de votação no Brasil.

O que prevê o memorando assinado pelo governo dos Estados Unidos citado na reportagem?

O documento autoriza parcerias entre órgãos estatais e empresas privadas para operações de vigilância cibernética e ações em redes e sistemas de informação, visando o combate ao cibercrime transnacional, mas gerando preocupações quanto à soberania de outros países.

Qual é o posicionamento do Brasil diante do cenário geopolítico atual?

Analistas defendem o fortalecimento da infraestrutura tecnológica nacional para garantir a segurança de dados estratégicos do Estado brasileiro frente a pressões externas e diretrizes de segurança estrangeiras.

 

Com informações de Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

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