Pessoas negras são maiores vítimas de homicídios no país

Estudo aponta que, apesar da queda nacional nos homicídios, a violência letal contra pessoas negras, indígenas e populações vulneráveis permanece crítica.

Fonte: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - 20

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Pessoas negras são maiores vítimas de homicídios no país
© Tomaz Silva/Agência Brasil

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  • Atlas da Violência 2026 mostra queda na taxa nacional de homicídios, mas manutenção de forte impacto sobre a população negra.
  • Em 2024, negros foram 77% das vítimas de assassinato, com risco 2,7 vezes maior que não negros, chegando a 23,3 vezes em Alagoas.
  • Relatório aponta aumento de violências contra LGBT+, indígenas e idosos, com destaque para letalidade indígena e mortes por quedas em idosas.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, expõe um cenário de desigualdades profundas no Brasil. Enquanto a taxa nacional de homicídios registra queda, o impacto da violência letal sobre a população negra segue alarmante: em 2024, pessoas negras representaram 77% das vítimas de assassinato no país. A taxa de mortalidade entre esse grupo supera em 170,3% a verificada entre não negros, revelando que um cidadão negro tem, proporcionalmente, 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que uma pessoa branca, amarela ou indígena.

A desigualdade racial é ainda mais evidente na análise por estados. Em Alagoas, o risco relativo chega a ser 23,3 vezes maior para a população negra. Segundo Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas, o país enfrenta uma tendência preocupante de aumento da violência direcionada a minorias, onde as dinâmicas criminais se entrelaçam com preconceitos estruturais e disputas territoriais que deixam populações historicamente marginalizadas em situação de extrema vulnerabilidade.

Violência contra populações específicas

O levantamento detalha a falta de visibilidade institucional sobre crimes motivados por identidade de gênero. As notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 5,5% em 2024, enquanto agressões contra pessoas trans e travestis subiram 2,5%. O recorte racial também é expressivo nestes grupos: pessoas negras somam 67% das vítimas travestis. No caso das pessoas com deficiência, a violência sexual e a negligência doméstica despontam como formas críticas de vitimização, atingindo especialmente mulheres com deficiência intelectual.

Conflitos territoriais e idosos

Os povos indígenas enfrentam um cenário de agravamento nos indicadores de letalidade, impulsionado por conflitos socioambientais. No Amazonas, os homicídios de indígenas dobraram em um ano, passando de 36 casos em 2023 para 73 em 2024. A violência contra mulheres indígenas também apresenta crescimento constante na última década, com alta expressiva nas notificações de abusos sexuais e violência física.

Já no segmento da população idosa, o Atlas aponta uma mudança no perfil das mortes por causas externas. Embora os homicídios de idosos tenham recuado 13,3% em 11 anos, as mortes por quedas tiveram um salto expressivo um aumento de 630% entre mulheres idosas desde o início do século. A análise reforça a necessidade urgente de políticas públicas de prevenção a quedas e de enfrentamento à violência interpessoal e negligência, que cresceram 226,3% na última década, refletindo o envelhecimento populacional e as lacunas no atendimento aos mais velhos.

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