O mercado editorial brasileiro registrou um avanço significativo em 2025, com 18% da população acima de 18 anos adquirindo ao menos um livro, seja impresso ou digital. O dado, revelado nesta quinta-feira (26) pelo estudo Panorama do Consumo de Livros, realizado pela CBL em parceria com a Nielsen BookData, mostra um aumento de 2 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para a presidente da CBL, Sevani Matos, o crescimento de 3 milhões de novos leitores reforça a relevância cultural do livro e a eficácia das políticas de incentivo à leitura e do engajamento digital.
O perfil do consumidor brasileiro é majoritariamente feminino, representando 61% do total. Um dado de destaque na pesquisa é o protagonismo das mulheres negras da classe C, que compõem o maior estrato de compradores no país, com 15% de participação. Entre o público jovem, na faixa de 18 a 34 anos, a alta foi de 3,4 pontos percentuais, impulsionada fortemente por comunidades virtuais e criadores de conteúdo que transformaram as redes sociais em uma vitrine estratégica para lançamentos literários.
Barreiras de acesso e o impacto da pirataria
Apesar do otimismo com os novos números, a pesquisa também identificou obstáculos severos ao hábito da leitura. Cerca de 35 milhões de brasileiros que não compraram livros em 2025 apontaram a ausência de livrarias físicas próximas como o principal motivo. Além disso, 35% dos entrevistados consideram o preço das obras elevado. O levantamento também acendeu um alerta sobre a pirataria: mais de 16% dos não compradores admitiram ter acessado PDFs gratuitos ou livros digitais ilegais, o que o setor classifica como “demanda reprimida” que precisa ser capturada por ofertas oficiais.
No que diz respeito ao formato, o livro impresso continua sendo o preferido, escolhido por 80% dos consumidores em sua última compra. As livrarias físicas ainda são valorizadas como espaços de conexão cultural por 46% do público, embora 53% das vendas totais já ocorram em plataformas online. Para os especialistas, o sucesso de gêneros como “Young Adult” (ficção para jovens adultos) e até de livros de colorir que atraíram 11 milhões de adultos mostra que a diversificação do catálogo é a chave para manter o setor aquecido em 2026.









































