O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou, nesta quinta-feira (12), duas novas denúncias contra dez policiais militares que participaram da Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão. Os agentes, lotados no Batalhão de Ações com Cães (BAC), são acusados de invadir residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial, além de manipularem propositalmente as câmeras acopladas aos uniformes para esconder suas ações.
Segundo a 2ª Promotoria de Justiça, os policiais utilizaram chaves mestras, facões e chaves de fenda para forçar a entrada nos imóveis. Imagens analisadas mostram que, uma vez dentro das casas, os agentes vasculharam objetos pessoais e chegaram a consumir alimentos das geladeiras dos moradores. Em uma segunda frente da denúncia, cinco desses policiais foram flagrados posicionando as câmeras corporais de forma inadequada, apontando-as para locais que impediam a visualização das abordagens, desrespeitando a obrigatoriedade do uso dos equipamentos.
O rastro de letalidade da Operação Contenção
A incursão de outubro de 2025 é considerada a mais letal da história do estado, com um saldo de 122 mortos, incluindo cinco policiais militares. Realizada com um efetivo de 2,5 mil agentes, a ação visava enfraquecer a cúpula do Comando Vermelho, mas foi duramente criticada por organizações de direitos humanos e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por descumprir protocolos de segurança em favelas. Enquanto o governo estadual classificou a operação como um “sucesso” e alegou legítima defesa nos confrontos, moradores denunciaram execuções sumárias.
Com as novas acusações, sobe para 19 o número de policiais militares denunciados por ilegalidades durante a Contenção. Além das invasões e obstrução de imagens, denúncias anteriores apontam a apropriação indébita de fuzis abandonados, peças de veículos e outros bens de moradores. O caso agora segue para julgamento na Auditoria Militar, enquanto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) analisa o impacto da operação para emitir recomendações formais ao governo brasileiro.








































