Violência recorde contra mulheres restringe direito de ir e vir, alerta Amelinha Teles

Ativista denuncia que medo de agressões e feminicídios em São Paulo força mulheres a mudarem rotinas; falhas na fiscalização de medidas protetivas são apontadas como gargalo.

Fonte: Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil - 20

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Violência recorde contra mulheres restringe direito de ir e vir, alerta Amelinha Teles
© Paulo Pinto/Agência Brasil

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A jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, fez um desabafo contundente durante audiência pública no Ministério Público de São Paulo. Para a militante da União de Mulheres de São Paulo, a escalada da violência de gênero está revogando, na prática, o direito constitucional de ir e vir das mulheres. O estado de São Paulo registrou em 2025 o maior número de feminicídios de sua série histórica, com 270 vítimas, um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior.

Segundo Amelinha, o sentimento de insegurança tem levado mulheres a evitarem circular sozinhas, organizando grupos para deslocamentos simples. Ela destacou dados de uma pesquisa realizada em dez capitais brasileiras, revelando que sete em cada dez mulheres já sofreram algum tipo de assédio moral ou sexual, o que reforça o clima de vigilância e medo constante nos espaços públicos e privados.

Medidas Protetivas e a Falha na Fiscalização

Um dos pontos mais alarmantes levantados pela ativista é a insuficiência das Medidas Protetivas de Urgência (MPU). Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que 13,1% das vítimas de feminicídio em 16 unidades da federação possuíam medidas vigentes no momento do crime. Na capital paulista, esse índice chega a 21,7%. Para Amelinha, a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, enfrenta o desafio do “sucateamento” dos serviços de atendimento e da falta de pessoal qualificado para o acompanhamento real dos casos.

Distanciamento do Poder Público

A ativista também criticou o isolamento dos movimentos sociais nas decisões de políticas públicas de segurança. Ela aponta que a falta de diálogo entre o Estado e a sociedade civil organizada prejudica a eficácia do acolhimento às vítimas. O governo de São Paulo foi procurado para comentar os índices recordes e as críticas ao sistema de proteção, mas não enviou posicionamento até o fechamento desta edição.

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