O crescimento das favelas brasileiras superou a média de expansão das cidades nas últimas quatro décadas, ocupando uma área de 146 mil hectares em 2024. De acordo com o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira, 4, essas comunidades cresceram 2,75 vezes no período, enquanto a mancha urbana geral do país aumentou 2,5 vezes. O estudo revela que 82% dessas áreas estão concentradas em regiões metropolitanas, evidenciando uma pressão habitacional severa nos grandes centros urbanos.
Manaus se destacou como a capital onde a expansão foi mais agressiva, com as favelas crescendo 2,6 vezes em relação ao restante do território urbano. No entanto, em números absolutos de extensão, a Grande São Paulo lidera o ranking com 11,8 mil hectares, seguida de perto por Manaus (11,4 mil ha) e Belém (11,3 mil ha). No Distrito Federal, o destaque fica para as comunidades Sol Nascente e 26 de Setembro, que se consolidaram como as maiores do país em extensão territorial.
Risco Hídrico e Ambiental
O levantamento também acende um alerta sobre a segurança hídrica e os impactos das mudanças climáticas. Cerca de 25% das áreas naturais urbanizadas nos últimos 40 anos estão localizadas em regiões onde a capacidade de abastecimento de água é considerada crítica. O Rio de Janeiro é o município com a situação mais preocupante, tendo expandido 7,6 mil hectares sobre terrenos com segurança hídrica mínima, o que agrava o risco de desabastecimento para a população.
Segundo o coordenador do MapBiomas, Júlio Pedrassoli, o avanço desordenado sobre áreas de mananciais e encostas não é apenas uma questão de risco geológico, mas um problema estrutural nacional. A falta de planejamento urbano eficiente tem empurrado as populações mais vulneráveis para zonas de exclusão ambiental, onde a infraestrutura básica de saneamento e água potável é escassa, tornando essas comunidades as primeiras vítimas de eventos climáticos extremos.











































