O Brasil é a terra de políticos espertalhões e sem escrúpulos. Usam a política para tirar proveito da coisa pública, esquecendo que ela existe para servir à sociedade, não para servir-se dela — como nos casos dos ex-deputados Otto Alencar Filho (PSD-BA) e Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR), hoje acomodados em cargos vitalícios e bem remunerados no TCE e no TCU, obtidos sem concurso.
Assim, votar acaba sendo, em muitos casos, apenas dar emprego a políticos, enquanto milhões de eleitores permanecem desempregados. O voto, da forma como está estruturado, não altera o ciclo corrompido da política brasileira.
O voto deveria ser facultativo, como ocorre em diversas democracias. Seria um passo para devolver liberdade ao eleitor. No entanto, no Congresso, essa proposta é sistematicamente barrada pela casta política brasileira — os “profissionais da política“, que lucram com a obrigatoriedade.
A obrigatoriedade do voto não tem contribuído para melhorar os rumos institucionais, as políticas públicas ou as prioridades sociais. O país continua avançando lentamente na solução de seus graves problemas.
O sistema político brasileiro permanece viciado, favorecendo corruptos ou aqueles que se deixam corromper pelas facilidades do poder. A filiação partidária é pouco criteriosa: partidos funcionam mais como máquinas eleitorais do que como instituições que defendem valores e condutas. Qualquer candidato despreparado encontra espaço nos partidos, e os tribunais eleitorais falham ao permitir esses registros.
O Brasil precisa de mecanismos de recuperação da política, com propostas que devolvam poder ao eleitor e moralidade às instituições:
- Recall eleitoral, como nos EUA, permitindo ao povo retirar um político do cargo antes do fim do mandato. Hoje, só há cassação por decisão judicial ou parlamentar.
- Candidaturas independentes, como na França, para que cidadãos possam disputar sem partido.
- Voto distrital puro, em vez do sistema proporcional que favorece candidatos com poucos votos diretos, puxados pelo quociente eleitoral.
- Voto facultativo, como na maioria das democracias, garantindo liberdade ao eleitor.
- Proibição de parlamentares interromperem o mandato para assumir cargos nos governos ou em postos vitalícios em tribunais (STF, TCU, TCE).
Essas propostas já foram discutidas, mas sempre esbarram nos interesses da própria classe política, que controla o processo legislativo e se beneficia da manutenção do sistema atual.











































