Uma ferramenta de inteligência artificial criada por um programador brasileiro está chamando atenção pelo potencial de identificar indícios de corrupção a partir do cruzamento de dados públicos. O sistema foi desenvolvido no próprio computador do autor e integra bases como Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Banco Central.
A proposta é simples na ideia, mas complexa na execução: a partir do CPF de agentes públicos, a ferramenta cruza informações oficiais e mapeia vínculos com familiares, empresas e contratos. O resultado é um painel de conexões que pode revelar relações suspeitas e padrões atípicos.
Segundo o desenvolvedor, o sistema já ajudou a identificar casos reais. Entre eles, a existência de funcionários fantasma que estariam custando cerca de R$ 2,4 milhões por ano aos cofres públicos. Também foram detectados indícios de auto-direcionamento de emendas parlamentares que somariam aproximadamente R$ 47 milhões.
Arquitetura técnica
Para dar conta do volume de dados, a solução utiliza uma combinação de ferramentas de inteligência artificial e banco de dados orientado a grafos. O planejamento dos scripts foi feito com apoio do Codex, enquanto o modelo Claude Opus foi usado para executar tarefas e processar informações.
As conexões entre pessoas, empresas e contratos são visualizadas no Neo4j, permitindo enxergar os relacionamentos em formato de grafo. Todo o sistema roda em um servidor com 128 GB de memória RAM, necessário para processar grandes bases públicas simultaneamente.
Próximos passos
A intenção do desenvolvedor é abrir um período de testes (beta) voltado a jornalistas e órgãos de controle. A ideia é permitir que profissionais de investigação e fiscalização avaliem a ferramenta na prática.
No futuro, o criador também considera disponibilizar o projeto como open source, ampliando o acesso e possibilitando auditoria do código por parte da comunidade técnica.
Por enquanto, a tecnologia segue operando a partir de um ambiente doméstico. Ainda assim, já teria identificado situações que, segundo o relato, permaneceram ocultas por anos em meio ao volume de dados públicos disponíveis.









































