A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta global nesta sexta-feira, 20, sobre redes criminosas que escravizam milhares de pessoas para a prática de fraudes digitais. O relatório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos documenta abusos severos em centros de operações ilegais.
As vítimas são mantidas em complexos fortificados, principalmente no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos. O documento revela casos de tortura, exploração sexual, privação de alimentos e confinamento solitário para aqueles que não atingem metas de extorsão e roubo de identidade.
O relatório aponta que a rede de recrutamento é global, captando pessoas em países europeus e latino-americanos, incluindo o Brasil. Atraídas por falsas promessas de emprego, as vítimas acabam presas em edifícios cercados por arame farpado e guardados por seguranças armados.
Volker Turk, Alto Comissário da ONU, classificou a lista de abusos como “avassaladora”. Segundo os testemunhos, sobreviventes relataram mortes de colegas que tentaram escapar dos complexos, além da conivência de policiais e guardas de fronteira com os traficantes.
Nenhum dos entrevistados recebeu as quantias em dinheiro prometidas durante o recrutamento. A ONU estima que centenas de milhares de pessoas tenham sido recrutadas à força desde 2021, em um fenômeno que começou na Ásia, mas já se espalha pelos continentes africano e americano.
Diante do cenário, a organização instou a comunidade internacional a realizar operações de resgate coordenadas e seguras. O gabinete da ONU também defende a criação de programas de reabilitação para os sobreviventes desses centros de crimes cibernéticos.
A denúncia busca pressionar governos a fortalecerem o controle de suas fronteiras e a cooperação jurídica para desmantelar as estruturas financeiras dessas redes. O combate a esse tipo de crime exige uma resposta unificada para proteger as liberdades fundamentais globalmente.









































