O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, foi responsável, em 2024, por impactos dramáticos, como a seca histórica dos rios da Amazônia.
Análises recentes indicam que o oceano passa por uma reorganização atmosférica favorável ao desenvolvimento do fenômeno. De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, o deslocamento de calor no Pacífico é um dos principais motores da formação do El Niño.
Em janeiro, foram registrados índices elevados de temperatura no Pacífico Oeste, um sinal considerado estratégico para medir a força do evento. Segundo a especialista, quanto mais quente essa área estiver, maior tende a ser a intensidade do fenômeno nos meses seguintes. “É como se houvesse mais ‘combustível’ disponível para influenciar o clima do planeta. Esse excesso de calor no mar já tem reflexos práticos”, afirma.
Se confirmado, o novo episódio de El Niño poderá provocar estiagens severas na região Norte e chuvas acima da média no Sul do Brasil, ampliando riscos de cheias, deslizamentos e prejuízos econômicos. O cenário reforça a necessidade de monitoramento constante e planejamento preventivo diante de possíveis extremos climáticos.
Ainda segundo análises meteorológicas, o fenômeno pode se consolidar até o inverno no Hemisfério Sul. Os modelos indicam que a transição nas águas do Oceano Pacífico Equatorial avança gradualmente, criando condições favoráveis para o estabelecimento definitivo do aquecimento anormal das águas.
A última vez em que o El Niño atingiu intensidade extrema, em 2024, o Brasil enfrentou um cenário considerado desesperador, especialmente na Amazônia. A seca histórica dos rios e a estiagem prolongada impactaram comunidades inteiras, transporte fluvial, abastecimento e a biodiversidade. O episódio contribuiu para que 2024 fosse apontado como um dos anos mais quentes já registrados globalmente.
Projeções indicam que um novo ciclo entre 2026 e 2028 pode apresentar impactos ainda mais severos em escala global, com reflexos diretos em eventos extremos, ondas de calor prolongadas, alterações nos regimes de chuva e pressão adicional sobre sistemas ambientais e econômicos já fragilizados pelas mudanças climáticas.









































