Diante da falta de espaço em gravadoras tradicionais, músicos da banda Quedalivre decidiram fundar o próprio selo musical no Rio de Janeiro. O selo AlterEgo nasceu da necessidade de gerenciar, produzir e distribuir o trabalho de artistas que, assim como eles, enfrentavam o silêncio da indústria fonográfica ao enviar seus materiais.
A iniciativa, oficializada com um festival em fevereiro de 2026, funciona como um coletivo que reúne 22 profissionais de até 25 anos. O grupo abrange diversas áreas da economia criativa, incluindo design, fotografia, audiovisual, técnicos de som e até contabilidade, formando um ecossistema autogerido.
O modelo adotado é o do “faça você mesmo”, permitindo que bandas jovens gravem e produzam seus eventos sem depender de grandes investimentos iniciais. Para os fundadores, o objetivo é mostrar que é possível produzir conteúdo de qualidade e movimentar a cena cultural de forma coletiva e profissional.
Desafios do mercado independente
O surgimento da AlterEgo reflete uma tendência global. Em 2023, as entidades independentes responderam por 46,7% do mercado mundial de música, movimentando mais de US$ 14 bilhões. No entanto, o setor enfrenta obstáculos como a saturação das plataformas de streaming e a dificuldade em manter o engajamento dos fãs.
Dados da MIDiA Research indicam que 87% das gravadoras independentes sentem dificuldade em destacar seus artistas em meio à enorme oferta digital. O Spotify, embora seja a maior fonte de receita para muitos, também representa um desafio pela concentração de ganhos entre os grandes nomes do setor.
A estratégia do selo carioca para superar essas barreiras é a união de forças. Ao reunir mais de 25 bandas de diferentes estados, o coletivo ganha escala e capacidade de articulação, transformando a produção artística em um projeto de futuro profissional compartilhado por uma nova geração.
Perspectivas para o cenário nacional
Para Victor Basto, diretor executivo do selo, a iniciativa é uma plataforma de resistência aos modelos convencionais. Ele destaca que a estrutura atual permite que novos grupos comecem suas trajetórias inspirados pelo apoio mútuo, combatendo a ideia de que o sucesso na música depende exclusivamente de “berço de ouro” ou grandes aportes.
O lançamento oficial do selo coincidiu com o pré-lançamento do álbum “Seres Urbanos”, da Quedalivre. O evento serviu como prova de conceito para o modelo de negócios do grupo, que pretende expandir sua atuação para outros estados e gêneros musicais nos próximos meses.
Com a consolidação da AlterEgo, os jovens produtores esperam não apenas viabilizar a própria arte, mas profissionalizar o cenário underground. A meta é criar um ambiente onde músicos independentes possam viver dignamente de seu trabalho, fortalecendo a rede de economia criativa no Brasil.







































