As ações de saúde na bacia do rio Doce receberam quase R$ 1 bilhão em recursos públicos ao longo de 2025 como parte do processo de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015. Os valores foram repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social por meio do Fundo Rio Doce.
Segundo o BNDES, os recursos somaram R$ 985,03 milhões e foram destinados a municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo impactados diretamente pelo desastre ambiental, considerado um dos mais graves da história do país. O rompimento lançou cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração ao longo de mais de 600 quilômetros do rio Doce, afetando o abastecimento de água, o meio ambiente e a saúde pública.
Os investimentos fazem parte do Novo Acordo do Rio Doce, homologado em 2024, que reorganizou as ações de reparação após quase uma década de questionamentos sobre a efetividade das medidas adotadas inicialmente. O desastre provocou a morte de 19 pessoas e trouxe impactos duradouros para dezenas de municípios mineiros e capixabas.
Do total previsto para a área da saúde, o acordo reserva R$ 12 bilhões. Desse montante, R$ 11,32 bilhões são administrados pelo BNDES no âmbito do Fundo Rio Doce e financiam o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, coordenado pelo Ministério da Saúde. Os R$ 684 milhões restantes ficam sob responsabilidade direta dos governos estaduais.
Entre as ações contempladas estão a construção e ampliação de hospitais e unidades de saúde, como o Hospital-Dia de Santana do Paraíso e o Hospital Universitário de Mariana, ligado à Universidade Federal de Ouro Preto. Também estão previstas a criação de centros de referência voltados à exposição a substâncias químicas e à qualidade das águas.
Os recursos incluem ainda R$ 1,8 bilhão para execução dos planos municipais de saúde, R$ 300,2 milhões para pesquisas conduzidas pela Fundação Oswaldo Cruz e a formação de um fundo patrimonial de R$ 8,4 bilhões, que garantirá a continuidade das ações ao longo dos próximos anos.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os investimentos contribuem para a reconstrução da rede pública de saúde e para o fortalecimento das comunidades afetadas. Já o Ministério da Saúde avalia que os aportes ampliam a capacidade de resposta do sistema público diante dos impactos persistentes do desastre na região.
O Novo Acordo envolve a União, os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, a Samarco e suas controladoras Vale e BHP Billiton, além de órgãos do sistema de Justiça. Ao todo, a repactuação prevê R$ 170 bilhões em indenizações, obras e políticas públicas ao longo de 20 anos.










































