O Tribunal Distrital de Munique, na Alemanha, marcou para o período de 26 a 28 de maio as audiências de um processo movido por 1,4 mil vítimas do desastre de Brumadinho. A ação busca responsabilizar a empresa alemã TÜV SÜD AG, que atestou a estabilidade da barragem da Vale meses antes do rompimento.
Os autores do processo, moradores de Brumadinho e Mário Campos, solicitam uma indenização estimada em 3,2 bilhões de reais. Eles alegam que a certificadora agiu com negligência ao validar a segurança de uma estrutura que apresentava condições críticas e operava abaixo dos padrões internacionais.
Em sua defesa, a TÜV SÜD AG nega responsabilidade legal pelo ocorrido. A companhia sustenta que os laudos emitidos em 2018 estavam em conformidade com as normas técnicas da época e que vistorias realizadas por autoridades brasileiras haviam confirmado a solidez da barragem de Córrego do Feijão.
Enquanto o processo avança na Europa, a justiça brasileira inicia em fevereiro as audiências de instrução criminal. No Brasil, 15 pessoas físicas, incluindo ex-diretores da Vale e funcionários da certificadora alemã, respondem por homicídio doloso qualificado, quando se assume o risco de causar mortes.
O rompimento da barragem, ocorrido há sete anos, resultou na morte de 272 pessoas e causou danos socioambientais irreversíveis. Para os movimentos de atingidos, a ação na Alemanha representa uma alternativa diante da morosidade do sistema judiciário nacional e uma tentativa de garantir reparação histórica.











































