O Ministério da Justiça e Segurança Pública formalizou, nesta quarta-feira (28), o pedido de extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A solicitação foi entregue pela embaixada do Brasil em Washington ao governo dos Estados Unidos, conforme determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ramagem, que dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na gestão de Jair Bolsonaro, foi condenado a 16 anos de reclusão no processo que investiga a trama golpista. O ex-parlamentar é considerado foragido desde setembro de 2025, quando deixou o país para evitar o início do cumprimento da pena.
As investigações da Polícia Federal apontam que o ex-diretor fugiu pela fronteira com a Guiana, utilizando um passaporte diplomático que ainda estava em sua posse. Atualmente, Ramagem reside em Miami, na Flórida, local onde aguardará os desdobramentos do processo de extradição, que não possui prazo definido para ser concluído.
A situação jurídica de Ramagem se agravou no final do ano passado, quando a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados oficializou a cassação de seu mandato. A decisão seguiu o rito constitucional, que exige a perda do cargo parlamentar em casos de condenação criminal definitiva.
Durante o inquérito, Ramagem já estava proibido de se ausentar do país por ordem do STF. Sua saída clandestina foi vista pelas autoridades como uma tentativa deliberada de obstrução da justiça, o que fundamentou o pedido de cooperação internacional para sua captura e retorno ao território brasileiro.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos agora deve analisar se os crimes pelos quais Ramagem foi condenado possuem equivalência jurídica no tratado bilateral de extradição. Caso o pedido seja aceito, o ex-deputado será escoltado pela Polícia Federal para cumprir sua sentença no Brasil.
O caso reforça o cerco jurídico contra os envolvidos nos atos contra o Estado Democrático de Direito. A colaboração entre o Ministério da Justiça e o Itamaraty tem sido intensificada para localizar outros condenados que buscaram refúgio em solo estrangeiro nos últimos meses.








































