O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, entra em uma fase decisiva na esfera judicial após 2.557 dias de impunidade. A partir do dia 23 de fevereiro, a 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte inicia as audiências de instrução que devem se estender até maio de 2027.
Quinze pessoas serão ouvidas como réus, incluindo ex-diretores e gerentes da mineradora Vale e funcionários da consultoria alemã TÜV SÜD. A juíza responsável pelo caso decidirá, ao fim deste período, se os acusados serão levados a júri popular pelos crimes cometidos na Mina Córrego do Feijão.
Especialistas e familiares das vítimas classificam o episódio como uma “tragédia-crime”. Críticos do setor de mineração apontam que o desastre reflete uma busca negligente por lucro em detrimento da segurança, agravada por uma fiscalização governamental burocrática que aceita documentos das empresas sem vistorias técnicas presenciais.
A Vale afirma que não comenta processos em tramitação, mas destaca que já executou 81% das ações previstas no Acordo Judicial de Reparação Integral. Já a TÜV SÜD nega responsabilidade legal, sustentando que as declarações de estabilidade emitidas na época estavam em conformidade com as normas técnicas vigentes.
Neste domingo, a associação de familiares Avabrum realiza um ato em memória das vítimas na entrada da cidade de Brumadinho. O evento reforça a cobrança por punição criminal, traçando paralelos com outros desastres ambientais no Brasil que permanecem sem a devida responsabilização dos envolvidos.











































