O Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas transexuais e travestis em 2025, consolidando o país no topo do ranking mundial de letalidade contra essa população. Os dados integram a nona edição do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), lançado nesta segunda-feira, 26 de janeiro, em Brasília.
Apesar de o número absoluto indicar uma queda significativa em relação aos 122 casos reportados em 2024, a Antra alerta que o cenário permanece crítico. O relatório aponta que a redução estatística não reflete uma diminuição da hostilidade, uma vez que o número de tentativas de homicídio saltou de 57 para 75 no mesmo período.
O perfil das vítimas revela um padrão de vulnerabilidade extrema: a maioria é composta por travestis e mulheres trans negras, com idade entre 18 e 35 anos. Regionalmente, o Nordeste concentrou o maior volume de crimes (38 mortes), enquanto Minas Gerais e Ceará empataram como os estados mais letais de 2025, com oito assassinatos cada.
A presidente da Antra, Bruna Benevides, destaca que a violência é alimentada por um sistema que naturaliza a exclusão e o abandono institucional. O dossiê também reforça que a maioria dos crimes ocorre em espaços públicos e com requintes de crueldade, evidenciando o caráter transfóbico das agressões em diversas regiões do país.
As organizações de direitos humanos cobram a implementação de políticas públicas específicas e o fim da impunidade. O documento foi entregue oficialmente ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, visando pressionar o Estado brasileiro a adotar medidas concretas de proteção e acolhimento para a comunidade trans e travesti.









































