Uma pesquisa lançada nesta quinta-feira, no Memorial da Imigração Judaica em São Paulo, revelou lacunas profundas no conhecimento dos brasileiros sobre o Holocausto. O estudo indica que, apesar de 59,3% dos entrevistados já terem ouvido o termo, apenas 53,2% conseguem explicar o conceito de forma correta. O levantamento ocorre às vésperas do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro.
Os dados detalhados mostram que a desinformação é ainda maior em pontos específicos: apenas 38% dos participantes reconheceram Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio. Especialistas da Confederação Israelita do Brasil (Conib) alertam que a falta de profundidade histórica facilita a circulação de discursos de ódio e a banalização do nazismo em redes sociais, afetando especialmente o público jovem.
O evento de lançamento contou com o depoimento de Hannah Charlier, de 83 anos, que sobreviveu à execução de seus pais na Bélgica quando ainda era bebê. Histórias como a de Hannah reforçam a necessidade de manter viva a memória das 6 milhões de vítimas do regime nazista. Para os pesquisadores, o ensino nas escolas ainda é a principal fonte de informação, mas precisa ser fortalecido para combater o negacionismo.
A pesquisa ouviu mais de 7,7 mil pessoas em 11 regiões metropolitanas do país. Os resultados apontam que, além dos judeus, grupos como a população LGBT, testemunhas de Jeová e prisioneiros políticos também foram alvos da perseguição sistemática. O objetivo das instituições envolvidas é utilizar os dados para aprimorar políticas educacionais e o papel social de museus no Brasil.
Uma série de atos solenes está programada para os próximos dias em São Paulo. No domingo, a Congregação Israelita Paulista realizará uma cerimônia em memória das vítimas, e na segunda-feira, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, participará de um encontro no bairro do Bom Retiro para discutir a preservação histórica e o combate à intolerância.











































