E não é que o “mito”, o autoproclamado imbrochável, e devoto declarado do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, foi finalmente transferido para o presídio da Papuda, ou melhor, “Papudinha”? Pois é, o homem que se dizia perseguido agora vai experimentar o que milhões de brasileiros conhecem de perto: o sistema prisional brasileiro, aquele mesmo que ele sempre defendeu que “tinha que endurecer ainda mais”.
Mas calma, nada de “cela comum”, porque a carceragem da Polícia Federal, onde o ex-presidente andou hospedado, já rendia reclamação por “barulho no ar-condicionado”. Um escândalo! Aparentemente, o ruído do ar refrigerado incomodava o repouso do cidadão. Quanta crueldade! Imagine só o sofrimento…
Enquanto isso, milhares de presos dormem no chão, sem ventilador, sem colchão e, muitas vezes, sem sequer um copo d’água limpa.
A decisão de Moraes e o retrato de um sistema falido
Na decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o STF lembra que o sistema prisional brasileiro é um “estado de coisas inconstitucional”, expressão técnica para dizer que está tudo errado há muito tempo.
Superlotação, falta de higiene, comida estragada, violência, doenças e abandono são rotina. São mais de um milhão de pessoas custodiadas para pouco mais de 800 mil vagas. E a maioria é pobre, preta, e sem advogado de grife para pedir transferência com base no “barulho do split”.
Em resumo: quem tem sobrenome forte reclama de ar-condicionado. Quem não tem, apodrece no calor, no mofo e no esquecimento.
O ar-condicionado da elite carcerária
O caso virou símbolo da hipocrisia de uma elite política que confunde prisão com hotel três estrelas.
Na prática, essa turma acredita que “ser preso” é uma injustiça divina, ainda mais quando o próprio “Deus do Brasil” é quem está atrás das grades.
E o mimimi? Ah, esse vai continuar!
Vai continuar porque é mais fácil chorar pelo barulho do ar-condicionado do que encarar o barulho do esgoto transbordando nos presídios de verdade.
Vai continuar porque quem sempre zombou dos direitos humanos agora quer ser tratado como “preso político”, e não como aquilo que é: um preso comum com privilégios extraordinários.
O retrato de um país que pune sem ressocializar
O Brasil prende muito, prende mal e ressocializa ninguém. O mesmo Estado que fecha escolas, abre presídios; que nega remédio a doentes, mas constrói celas “VIP” para figurões. Enquanto isso, o trabalhador pobre que rouba um frango para matar a fome cumpre pena até o último dia, sem cela refrigerada, sem advogado renomado, e sem live de apoio de deputado lambe-botas.
Pensamento do dia:
“No Brasil, até na cadeia existe classe social. Uns reclamam do barulho do ar-condicionado, outros só queriam uma janela pra ver o sol.”








































