O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu oficialmente, nesta segunda-feira, 12 de janeiro, a condição de anistiados políticos para Ivo e André Herzog. Os dois são filhos do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 durante o regime militar. A decisão inclui o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil para cada irmão.
A portaria foi assinada pela ministra Macaé Evaristo e publicada no Diário Oficial da União. O reconhecimento estende o processo de reparação histórica à família, uma vez que a viúva do jornalista, Clarice Herzog, já havia recebido a mesma condição de anistiada política no ano de 2024.
Segundo a relatora do processo na Comissão de Anistia, Gabriela de Sá, a medida reconhece que as violações de direitos humanos atingiram diretamente os filhos do perseguido político. A conselheira destacou que a privação da convivência familiar e os traumas causados pelas versões oficiais sobre a morte do pai configuram medidas de exceção.
O caso de Vladimir Herzog é um dos mais emblemáticos da ditadura brasileira. A exposição da foto do jornalista sem vida em uma cela do DOI-CODI, em São Paulo, e a longa luta jurídica da família para retificar a causa da morte no atestado de óbito foram pontos fundamentais para fundamentar o direito à anistia dos herdeiros.
Com o reconhecimento, o Estado brasileiro admite formalmente a responsabilidade pelas perseguições sofridas pela família Herzog. O pedido oficial de desculpas é uma etapa obrigatória do processo de anistia, simbolizando o compromisso das instituições democráticas com a verdade e a reparação das vítimas do período autoritário.







































