A consciência ambiental de populações em áreas costeiras cresce em até 20% quando há projetos de conservação com longo prazo de atuação. A revelação é de um estudo inédito realizado pelo Programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A pesquisa é resultado de uma parceria com a Rede Biomar, que reúne cinco grandes projetos de conservação marinha: Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil.
Detalhes da pesquisa sobre consciência ambiental
O estudo ouviu 1.803 pessoas em maio de 2025, sendo 1.501 residentes em municípios costeiros que conheciam a Rede Biomar. Um grupo de controle, com 302 pessoas, não tinha contato com as iniciativas da rede.
Os projetos com, pelo menos, duas décadas de atuação elevam em mais de 10% a percepção das pessoas sobre sua conexão com o oceano, chegando a 20% em alguns casos. Tatiana Neves, fundadora do Projeto Albatroz, disse à Agência Brasil que a pesquisa é pioneira.
Os resultados reforçam que o investimento contínuo em educação ambiental tem um efeito direto e duradouro no comportamento socioambiental dos indivíduos. A percepção de como o oceano impacta a vida das pessoas é 11% maior entre quem conhece os projetos.
Engajamento e mobilização da população
O levantamento apontou que 88% das pessoas que conhecem os projetos afirmam buscar informações sobre o oceano. Além disso, 87% se sentem motivadas a contribuir com a conservação marinha.
Um dado importante é que 82% dos entrevistados mostraram-se dispostos a mudar hábitos pelo oceano. Deste total, 47% se declararam extremamente dispostos, quase o dobro do grupo controle. Mais de 90% dos entrevistados ligados à Rede Biomar afirmam estar dispostos a agir como agentes de mudança.
Desafios e o Currículo Azul
A pesquisa faz parte do planejamento estratégico da Rede Biomar para a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que vai até 2030.
Ronaldo Christofoletti, coordenador do Programa Maré de Ciência da Unifesp, ressaltou que a educação é um processo de longo prazo, confirmando a importância de projetos que atuam há mais de 20 anos.
Tatiana Neves indicou que o desafio agora é converter a preocupação em engajamento prático. Ela avalia que muitas pessoas querem ajudar, mas não sabem quais ações são eficazes ou possíveis no cotidiano, como reduzir o consumo de plástico descartável.
Christofoletti defendeu o fortalecimento de políticas públicas como o Currículo Azul. Trata-se da Educação Oceânica integrada ao currículo escolar brasileiro. Essa política visa ensinar sobre a importância dos oceanos para formar cidadãos e profissionais mais conscientes sobre sustentabilidade e clima no Brasil.










































