A bravura de homens e mulheres na incansável luta pela sobrevivência, percorre as tortuosas veias líquidas da verde mata, instigando e desafiando a própria coletividade a construir e reconstruir seus dialéticos e fenomenológicos modos de vida através de uma ontológica devoção de brandura e respeito ao espaço de ação que o alimenta.
Essa árdua tarefa de força e resistência que emerge simbolicamente de um transcendental mundo que se espalha do real ao surreal, mantém claramente acesa duas chamas essenciais que preenchem a inefável luz da existência humana: o sentimento e o pertencimento pela terra. Esse embelecido apego de encantatório enraizamento que imbrica o homem à terra às vezes passa despercebido no conjunto do arcabouço jurídico brasileiro.
As criaturas da terra em constante hecatombe e deterritorialização são impetuosamente vítimas de uma engrenagem social ignóbil e excludente que de forma larápia e ludibriante, proíbe os atores da mendicância inescrupulosa de arrancar da terra o imaculado pão da vida. Somente o pão da vida é capaz de ceifar a dor da fome, algo impoluto e sagrado, e que a terra jamais negou aos filhos seus.
A terra não vende o pão, pois não é capaz de vender a própria alma. Cada filho assassinado sobre ela e todo sangue derramado que muda a cor de seu vestido, ela se torna órfã de paz, justiça e felicidade. A terra não outorga poderes cartoriais a ninguém, justamente porque não é outorgante. Fraudar ou burlar tais registros são considerados crimes graves no Brasil, que se estendem da grilagem de terras, da anulação desses registros até a responsabilidade civil e criminal.
O mundo dos financiamentos fraudulentos, dos endividamentos não quitados, dos impostos sonegados e dos créditos do Plano Brasil Soberano em consequência dos tarifaços americanos, é também o mundo dos pobres da terra, das enxadas, dos arados, dos machados, e também dos picaretas dos imbróglios da guerra e paz.











































