Hamas anuncia dissolução de governo em Gaza e sinaliza transição de poder em novo plano de paz

Grupo afirma que encerrará seu governo de fato na Faixa de Gaza e diz estar disposto a transferir a administração para um comitê de tecnocratas, enquanto cobra cumprimento do acordo de cessar-fogo por Israel.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Hamas anuncia dissolução de governo em Gaza e sinaliza transição de poder em novo plano de paz
© Banco Mundial/ Natalia Cieslik (arquivo)

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O Hamas informou nesta segunda-feira (6) que dissolveu o governo de fato responsável pela administração da Faixa de Gaza, em um gesto considerado parte do plano de reconstrução e reorganização política do território apoiado pelos Estados Unidos.

Segundo o grupo, o órgão que coordenava os ministérios deixará de existir, encerrando uma estrutura administrativa que funcionava há mais de uma década. Apesar disso, os ministérios e os servidores públicos permanecerão em atividade, enquanto o Hamas continuará supervisionando as áreas de segurança e policiamento nas regiões que seguem sob sua influência.

A decisão foi anunciada durante entrevista coletiva concedida na Cidade de Gaza por Ismail Al-Thawabta, diretor do escritório de mídia do movimento.

Transição para um comitê de tecnocratas

De acordo com o Hamas, a medida busca facilitar a transferência da administração para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por técnicos palestinos e previsto no plano de paz apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O presidente do comitê, Ali Shaath, afirmou que a equipe está preparada para assumir a gestão da Faixa de Gaza, desde que existam condições políticas e estruturais para o funcionamento da nova administração.

Segundo ele, a implementação depende da existência de uma autoridade única, legislação unificada e forças de segurança subordinadas ao novo governo.

Plano de paz continua enfrentando impasses

Embora o anúncio represente um avanço previsto no acordo, o processo de paz permanece travado.

O Hamas acusa Israel de descumprir cláusulas do cessar-fogo firmado em outubro, especialmente aquelas relacionadas à retirada gradual das tropas israelenses da Faixa de Gaza.

O grupo também reafirmou que não pretende entregar suas armas enquanto as operações militares israelenses continuarem no território palestino.

Israel, por sua vez, sustenta que as ações militares realizadas após o início da trégua têm como objetivo neutralizar ameaças representadas por grupos armados.

Até a publicação desta reportagem, o governo israelense não havia comentado oficialmente a decisão anunciada pelo Hamas.

Conselho de Paz dos EUA reage

O Conselho de Paz criado pelos Estados Unidos para acompanhar a implementação do plano declarou que recebeu o anúncio do Hamas, mas ressaltou que avaliará os resultados com base nas ações concretas.

Segundo o órgão, o sucesso da transição dependerá da efetiva implementação das medidas prometidas e da capacidade de atender às necessidades humanitárias da população da Faixa de Gaza.

Cenário humanitário permanece crítico

Mais de dois anos após o início da guerra desencadeada pelos ataques do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, grande parte da infraestrutura de Gaza continua destruída.

Enquanto as negociações seguem em andamento, novos episódios de violência ainda são registrados no território. Nesta segunda-feira, autoridades de saúde locais informaram que ataques deixaram mortos na Faixa de Gaza, reforçando o cenário de instabilidade que ainda impede uma normalização completa da região.

FAQ

O que o Hamas anunciou?

O grupo informou que dissolveu seu governo de fato na Faixa de Gaza e pretende transferir a administração civil para um comitê de tecnocratas palestinos.

O Hamas deixará completamente o poder?

Não. Apesar da dissolução do governo administrativo, o movimento afirmou que continuará responsável pela segurança e pelo policiamento nas áreas sob seu controle.

O plano de paz já entrou em vigor?

Apenas parcialmente. Diversas etapas previstas no acordo seguem pendentes devido aos impasses entre Hamas e Israel.

Israel comentou o anúncio?

Até o momento da divulgação desta reportagem, o governo israelense não havia emitido posicionamento oficial.

 

Com informações de Nidal al-Mughrabi – Reuters

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