O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou nesta sexta-feira (20) que o cenário atual não aponta para um fim próximo da escalada regional no Oriente Médio. Em coletiva de imprensa realizada em Tel Aviv, após reunião com o chanceler israelense Gideon Saar, Barrot enfatizou que, embora a saída não seja óbvia, a “inação não é uma opção” para a diplomacia francesa. O clima de tensão foi ilustrado pelo soar das sirenes durante o evento, obrigando o ministro e sua equipe a buscarem proteção em um abrigo antiaéreo devido a um novo lançamento de mísseis por parte do Irã.
A França, que possui laços históricos com o Líbano, tenta coordenar com os Estados Unidos uma proposta de desescalada. O foco principal é um cessar-fogo na fronteira norte de Israel, onde o Hezbollah mantém ataques desde o início de março. Barrot reforçou as reservas de Paris quanto a uma incursão terrestre israelense no sul do Líbano, defendendo que o Exército libanês assuma o protagonismo no desarmamento do Hezbollah para evitar o agravamento da crise no país vizinho.
Divergências estratégicas e propostas rejeitadas
Apesar dos esforços franceses, as negociações enfrentam obstáculos severos. O governo israelense rejeitou, até o momento, propostas de diálogo direto com Beirute, classificando-as como insuficientes para garantir a segurança no norte do país. Além disso, diplomatas indicam que as contrapropostas apresentadas pela França na última semana foram recebidas com frieza pelos Estados Unidos, embora as discussões bilaterais entre os aliados ocidentais continuem.
No Líbano, o presidente Joseph Aoun sinalizou disposição para negociar, mas o Hezbollah rejeitou a iniciativa e mantém as operações militares contra o território israelense. O governo libanês teme que uma ação direta e agressiva contra o grupo, para cumprir as exigências internacionais, possa desencadear uma nova guerra civil no país, que já enfrenta uma crise econômica sem precedentes.






































