A agência de notícias semioficial Fars confirmou, nesta terça-feira (17), a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. O político, considerado um dos arquitetos da estratégia de defesa e política externa da República Islâmica, foi atingido por um ataque aéreo enquanto visitava sua filha na periferia leste de Teerã. A confirmação ocorre pouco após o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarar que o veterano havia sido alvo de uma operação israelense.
Larijani ocupava uma posição de poder singular no Irã, atuando como ponte entre a ala militar e o establishment clerical. Ex-comandante da Guarda Revolucionária e ex-presidente do Parlamento por 12 anos, ele era um aliado íntimo do aiatolá Ali Khamenei que também faleceu em um ataque aéreo no mês passado. Sua morte representa um golpe profundo na estrutura de comando iraniana, ocorrendo em meio a uma escalada de tensões regionais e conflitos aéreos diretos.
Trajetória de Influência e Contrastes
Nascido em 1958 em Najaf, no Iraque, Larijani pertencia a uma das famílias mais influentes do país. Ao longo de sua carreira, transitou por cargos de alta sensibilidade, desde a direção da rede estatal de televisão até a liderança das negociações nucleares com o Ocidente em 2005. Na época, ficou famoso por sua linha dura, comparando a proposta europeia de troca de combustível nuclear a dar “uma pérola em troca de uma barra de chocolate”.
Apesar de sua imagem como “conservador moderado” no Parlamento, Larijani figurava nas listas de sanções dos Estados Unidos por seu papel na repressão a distúrbios internos. Grupos de direitos humanos o apontavam como uma das figuras na linha de frente das operações que resultaram em milhares de mortes durante os recentes levantes populares no país.
O Vácuo de Poder
A morte de Larijani ocorre em um momento crítico, logo após ele ter sido renomeado para a chefia da segurança nacional no ano passado, após uma intensa ofensiva aérea israelense. Ele vinha tentando mediar conversações para evitar a guerra total, chegando a declarar no início de 2026 que a questão nuclear americana tinha solução. Com o desaparecimento de Larijani e de Khamenei, o regime enfrenta um vácuo de liderança experiente em um dos períodos mais turbulentos de sua história desde a Revolução de 1979.








































