Um movimento migratório sem precedentes está redefinindo o “sonho americano”, mas desta vez fora das fronteiras dos Estados Unidos. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, cidadãos norte-americanos estão deixando o país em números recordes, motivados pela busca por segurança, custo de vida acessível e estabilidade política. Estima-se que 150 mil pessoas tenham saído dos EUA apenas no ano passado, consolidando um fenômeno que analistas apelidaram de “Donald Dash”, em referência ao aumento da emigração durante o segundo mandato de Donald Trump.
Portugal tornou-se um dos principais refúgios, com o número de residentes americanos aumentando mais de cinco vezes desde o início da pandemia. Países como República Tcheca, Espanha e Países Baixos também viram suas comunidades de expatriados dos EUA dobrarem na última década. O movimento é impulsionado pelo crescimento do teletrabalho e por uma desilusão estrutural com o rumo da nação: em 2025, uma pesquisa do Instituto Gallup revelou que 40% das mulheres entre 15 e 44 anos desejam viver permanentemente no exterior.
Motivações econômicas e qualidade de vida
Embora os salários nos Estados Unidos permaneçam entre os mais altos do mundo, o custo elevado da saúde, da educação e o aumento da criminalidade violenta têm pesado na decisão de partida. Na Europa, os americanos encontram sistemas de proteção social mais robustos e um estilo de vida mais equilibrado. Esse fluxo resultou em situações curiosas, como na Alemanha e na Irlanda, que no último ano receberam mais imigrantes vindos dos Estados Unidos do que enviaram cidadãos para o território americano, invertendo uma tendência histórica de décadas.
Impactos locais e o desafio da gentrificação
A chegada massiva de americanos com alto poder aquisitivo tem gerado tensões nas cidades de destino. Em Lisboa, investidores dos EUA já representam 58% dos compradores estrangeiros de imóveis, contribuindo para que os preços das casas dobrassem em bairros históricos em apenas cinco anos. O fenômeno da gentrificação, impulsionado por nômades digitais, já provoca protestos em locais como Barcelona, Bali e Colômbia, onde a população local enfrenta dificuldades para arcar com o aumento nos custos de moradia e serviços básicos.










































