O show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl — um dos eventos de maior audiência do planeta — ultrapassou o entretenimento e se transformou em um embate político nos Estados Unidos. Logo após a apresentação, o presidente Donald Trump criticou publicamente o espetáculo, reacendendo discussões sobre políticas de imigração, identidade cultural e o espaço da comunidade latina no país.
O artista porto-riquenho encerrou o show levantando bandeiras de países do continente americano, gesto interpretado como celebração da diversidade cultural. Trump classificou a apresentação como “ridícula” e afirmou que o espetáculo seria uma afronta à identidade norte-americana. As declarações repercutiram imediatamente nas redes sociais e na imprensa internacional.
O episódio expôs um contraste simbólico entre duas visões: de um lado, o discurso nacionalista defendido por Trump; de outro, a valorização da cultura latino-americana, frequentemente presente na obra de Bad Bunny. O cantor é conhecido por posicionamentos críticos à política migratória norte-americana e por defender publicamente a preservação da língua espanhola e das raízes culturais latinas.
Cultura, política e identidade
A escolha de Bad Bunny como atração principal do intervalo já havia provocado reação política desde o anúncio, em 2025. Trump declarou na época que nunca tinha ouvido falar do artista e acusou o cantor de transmitir mensagens divisivas. Aliados do presidente também criticaram o fato de a apresentação ocorrer majoritariamente em espanhol, levantando debates sobre identidade nacional.
Bad Bunny, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio, nasceu em Porto Rico — território norte-americano cujos habitantes possuem cidadania dos EUA, mas não têm direito a voto presidencial. Essa condição política é frequentemente abordada em suas músicas, que discutem autonomia, identidade e história da ilha.
O álbum mais recente do cantor reforça essas críticas, trazendo referências à relação histórica entre Porto Rico e os Estados Unidos. Especialistas avaliam que o embate simboliza uma disputa cultural mais ampla sobre o futuro da identidade americana em um país cada vez mais diverso.
Repercussão além do palco
Antes do evento, declarações de membros ligados à Casa Branca sobre possíveis ações de fiscalização migratória próximas ao estádio foram interpretadas como tentativa de intimidação ao público latino — embora nenhuma operação tenha sido registrada.
Para analistas, o episódio demonstra como grandes eventos culturais se tornaram palcos de disputas políticas. O Super Bowl, tradicionalmente associado ao entretenimento, acabou refletindo tensões sociais profundas ligadas à imigração, diversidade e representação cultural.
O debate impulsionado pela apresentação de Bad Bunny mostra que a música segue sendo ferramenta poderosa de expressão política — e que a cultura pop continua influenciando discussões centrais sobre identidade e pertencimento nos Estados Unidos.










































