O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou que o governo libertou 400 detidos desde dezembro de 2024. A medida é apresentada pela gestão interina de Delcy Rodríguez como um “gesto unilateral” para promover a paz e a unidade nacional após a operação militar norte-americana, iniciada em 3 de janeiro de 2026, que resultou na prisão de Nicolás Maduro.
A oposição e organizações não governamentais, no entanto, questionam a veracidade e a transparência desses dados. A ONG Foro Penal confirmou a soltura de apenas 41 presos políticos até o momento, indicando que o balanço oficial pode incluir prisioneiros comuns ou pessoas que já estavam em liberdade condicional. Os ativistas exigem a publicação imediata da lista com os nomes dos beneficiados para verificação.
Entre os nomes confirmados pela oposição como libertados está o de Enrique Márquez, ex-candidato à presidência que havia sido detido após as eleições de julho de 2024. Também foram registradas as solturas de cidadãos estrangeiros, incluindo espanhóis e americanos, como parte de negociações para estabilizar o país e reabrir canais diplomáticos com Washington.
Enquanto o governo interino defende que as liberações visam a convivência pacífica, o Observatório Venezuelano de Prisioneiros denuncia que o processo ocorre de forma lenta e “a conta-gotas”. Familiares de detidos permanecem em vigília em frente a prisões como El Helicoide e Rodeo I, enfrentando condições precárias à espera de informações sobre parentes que ainda constam nas listas de mais de 800 presos políticos.
A crise política na Venezuela segue em um cenário de incerteza, com Nicolás Maduro aguardando julgamento em Nova York e a oposição liderada por María Corina Machado pressionando por uma transição democrática completa. A libertação de todos os detidos por motivos ideológicos permanece como uma das principais exigências da comunidade internacional para o reconhecimento da nova fase do governo venezuelano.










































