O governo do Irã mantém o bloqueio total da internet em todo o território nacional há 84 horas, segundo monitoramento da organização Netblocks. A medida extrema foi adotada na última quinta-feira pelas autoridades locais como resposta direta aos protestos contra o governo que ganharam força na capital Teerã.
O corte da rede global e do sinal de telefonia celular ocorreu após a circulação de vídeos nas redes sociais que mostravam multidões em confronto com forças de segurança. A estratégia de isolamento digital é utilizada pelo regime iraniano para impedir a organização de novos atos e dificultar a divulgação de imagens da repressão policial.
De acordo com ativistas e organizações de direitos humanos, a violência estatal já resultou na morte de pelo menos 544 pessoas, a maioria manifestantes. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em encontro com diplomatas que a situação está sob controle, embora não tenha apresentado provas para as suas alegações.
O chefe da diplomacia iraniana sugeriu que os protestos estariam sendo incentivados para justificar uma intervenção militar dos Estados Unidos, sem fundamentar a acusação. Enquanto o bloqueio persiste, apenas veículos de imprensa autorizados pelo governo e com financiamento externo, como a rede Al Jazeera, conseguem operar no país.
Historicamente, o Irã utiliza o desligamento da internet como ferramenta de controle social em períodos de instabilidade política. A interrupção prolongada afeta não apenas a comunicação, mas também a economia e serviços essenciais, isolando a população iraniana do restante do mundo em meio a uma das crises mais sangrentas dos últimos anos.










































