O Ministério Público do Estado de Rondônia participou nesta quarta-feira (11) do I Workshop AMAZCLIM – Clima e Saúde na Amazônia Ocidental, realizado no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rondônia, em Porto Velho.
O encontro reuniu pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes e gestores públicos para discutir as relações entre clima, meio ambiente e saúde na região amazônica.

Debate sobre poluição atmosférica
A coordenadora do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema), promotora de Justiça Valéria Giumelli Canestrini, representou o Ministério Público do Estado de Rondônia no Painel 3 – Poluição Atmosférica e Saúde na Amazônia.
Durante o painel, foram debatidos os impactos da poluição do ar e das queimadas na saúde das populações amazônicas.
O workshop contou ainda com apoio da Universidade Federal de Rondônia e da Fiocruz Rondônia, fortalecendo o diálogo entre ciência, instituições públicas e sociedade.
Papel do Ministério Público
Durante sua exposição, a promotora destacou o papel constitucional do Ministério Público na defesa da sociedade, do meio ambiente e da saúde pública.
Segundo ela, a atuação do órgão ocorre tanto na fiscalização de políticas públicas quanto na responsabilização por danos ambientais.
Valéria Canestrini também explicou que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto na Constituição Federal, está diretamente ligado à proteção da saúde da população.
Queimadas e impactos na saúde
No debate, a promotora ressaltou que as queimadas estão entre as principais causas da poluição atmosférica na Amazônia, provocando uma série de problemas de saúde.
Entre os impactos citados estão doenças respiratórias, alergias, problemas cardiovasculares, além de prejuízos às atividades escolares e ao trabalho durante períodos de fumaça intensa.
“A qualidade do ar está diretamente ligada à saúde da população. Proteger o meio ambiente é também proteger a vida e o bem-estar das pessoas”, destacou.
Debate sobre o “ponto de não retorno” da Amazônia
O tema das mudanças climáticas também foi discutido em outra atividade promovida pelo Ministério Público do Estado de Rondônia nesta semana.
Na segunda-feira (9), a instituição sediou a aula inaugural “Diálogos entre Ciência e Defesa Ambiental”, organizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia.

A análise foi conduzida pelo professor Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, especialista em física atmosférica.
Durante o encontro, foram discutidos riscos relacionados ao chamado “ponto de não retorno” da Amazônia, conceito científico que indica um possível limite crítico de degradação do bioma.
Segundo estudo publicado na revista Nature em 2024, a Amazônia pode se aproximar de um ponto de ruptura caso o desmatamento alcance cerca de 40% da cobertura florestal e o aquecimento médio chegue a 4°C, cenário que poderia levar à savanização do bioma.

Especialistas defendem que o enfrentamento da crise climática exige ação integrada entre instituições públicas, comunidade científica e sociedade, para garantir a preservação da floresta e a proteção das futuras gerações.







































