Eleições 2026 têm recorde de eleitores com deficiência, mas acessibilidade ainda enfrenta desafios

Quase 2 milhões de eleitores com deficiência estão aptos a votar nas Eleições 2026, enquanto relatos mostram dificuldades de acesso a locais e seções eleitorais.

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Eleições 2026 têm recorde de eleitores com deficiência, mas acessibilidade ainda enfrenta desafios
foto - Fernando Frazão/Agência Brasil

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As Eleições 2026 registram um número recorde de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida aptas a votar. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 1.970.165 eleitores, alta de 42% em relação a 2022, quando o cadastro registrava 1.381.348 pessoas nesse grupo.

Para acompanhar esse crescimento, a Justiça Eleitoral ampliou a quantidade de seções principais com acessibilidade, que passou de 156.296 em 2022 para 220.577 em 2026, aumento de 41%. Mesmo assim, relatos registrados durante a votação deste domingo (4) mostram que obstáculos físicos e mudanças nos locais de votação ainda podem dificultar o acesso às urnas.

Eleitor encontra seção em local diferente

Um dos casos relatados pela Agência Brasil foi o de Alexandre Prudente, eleitor cadeirante que saiu de casa para votar no Rio de Janeiro.

Ele se dirigiu inicialmente à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, onde acreditava que funcionava sua seção. Depois de enfrentar rampas e um elevador para chegar ao local, descobriu que a seção havia sido transferida novamente para a Igreja Metodista, em Vila Isabel.

“Nunca levei tanto tempo para votar. Da outra vez, foi muito mais rápido”, relatou o eleitor à Agência Brasil.

Após retornar ao carro do filho e percorrer cerca de 1,5 quilômetro até a igreja, Alexandre encontrou fila e, mesmo tendo prioridade, aguardou cerca de uma hora para votar.

Número de eleitores com deficiência aumenta

O cadastro eleitoral mostra crescimento expressivo desse eleitorado desde 2022. Entre os registros de 2026, 617.996 eleitores têm deficiência de locomoção, 319.489 têm deficiência visual e 182.341 têm deficiência auditiva. Outros 64.851 declararam dificuldade para o exercício do voto.

A categoria “Outros” reúne 994.472 registros. Os números refletem as informações declaradas no cadastro eleitoral e podem envolver diferentes condições de deficiência ou mobilidade reduzida.

Falta de estrutura também aparece nos locais

A Agência Brasil também registrou o caso de Isaura dos Santos, de 77 anos, que precisou subir escadas para votar em uma escola na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo o relato, o local não tinha elevador disponível e havia problemas de iluminação.

Outro caso foi o de Maria Lídia Gomes de Matos, de 85 anos, que possui limitações na fala e nos movimentos após um acidente vascular cerebral. A filha, Isabela Quadros, acompanhou a mãe durante a votação e relatou dificuldades de estrutura no local.

Apesar dos obstáculos, Maria Lídia conseguiu votar.

Quais recursos estão disponíveis?

A Justiça Eleitoral informa que os locais de votação são vistoriados periodicamente pelos tribunais regionais eleitorais e pelas zonas eleitorais. A medida busca atualizar as informações sobre as condições de acessibilidade dos imóveis utilizados nas eleições.

Nas urnas eletrônicas, eleitores com deficiência visual contam com teclado em braile, identificação tátil da tecla 5 e sistema de áudio. O TSE também disponibiliza fones de ouvido descartáveis para utilização desse recurso. Há ainda intérprete de Libras exibido na tela para auxiliar eleitores surdos.

Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida têm prioridade para votar e podem contar com uma pessoa de confiança para auxiliar no exercício do voto, desde que sejam atendidas as condições previstas pela Justiça Eleitoral.

Acessibilidade vai além da urna

O TSE também criou o programa Seu Voto Importa, que prevê parcerias para oferecer transporte especial e gratuito a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios para chegar aos locais de votação.

Os dados mostram, portanto, uma expansão da estrutura de acessibilidade nas eleições, mas os relatos registrados durante o primeiro turno indicam que a existência de recursos adaptados não elimina todos os obstáculos enfrentados pelos eleitores.

Com informações de Isabela Vieira e Vitor Abdala – Repórteres da Agência Brasil.

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