O Banco do Brasil (BB) projetou que 2026 será um ano de superação após registrar um lucro líquido ajustado de R$ 20,68 bilhões em 2025. O montante representa uma queda expressiva em relação ao ano anterior, reflexo direto de uma crise de inadimplência no setor agropecuário.
Segundo a presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, o calote no segmento agro cresceu cerca de 500% acima da média histórica. Apesar dos números, a executiva afirmou que a instituição já aprendeu a lidar com as dificuldades enfrentadas no último ciclo e espera retomar o crescimento.
Para 2026, a projeção de lucro líquido ajustado do BB varia entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A estratégia para atingir essa meta inclui o fortalecimento da liderança no crédito consignado para funcionários públicos e a expansão dessa modalidade para o setor privado.
Aporte bilionário ao FGC
Durante teleconferência realizada nesta quinta-feira, 12, a diretoria do banco confirmou um aporte antecipado de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O movimento visa recompor o caixa do fundo após a liquidação do Banco Master.
A medida consiste no adiantamento de cinco anos de contribuições futuras, que normalmente somariam R$ 1 bilhão anuais. Além disso, o BB fará uma contribuição extraordinária anual de aproximadamente R$ 500 milhões para garantir a solidez do sistema financeiro.
O vice-presidente de Gestão Financeira, Geovanne Tobias, explicou que a antecipação terá efeito apenas no caixa, sem comprometer a estrutura da tesouraria. No entanto, o banco admitiu estar abrindo mão de receitas para assegurar a estabilidade do regulador.
Ajustes na regulação
Tarciana Medeiros ressaltou que os eventos de 2025, especialmente as falhas identificadas no mercado com o caso Master, servem de aprendizado para o setor. Para ela, é necessário que o FGC atue como um seguro ao investidor, mas sem ser usado como argumento de venda.
A presidente do BB defendeu um diálogo mais estreito entre os agentes financeiros e o Banco Central. O objetivo é ajustar a legislação vigente para evitar que comportamentos atípicos de mercado comprometam a saúde das grandes instituições.
Mesmo diante do cenário de cautela, o banco mantém a confiança na resiliência de sua carteira de crédito. A instituição aposta na experiência histórica em linhas de crédito seguro para navegar pelas oscilações econômicas previstas para o restante do ano.










































