O mercado financeiro brasileiro registrou um desempenho histórico nesta terça-feira, 20. O índice Ibovespa, da B3, encerrou o dia aos 166.277 pontos, com alta de 0,87%, superando pela primeira vez a barreira dos 166 mil pontos. O recorde ocorreu apesar da volatilidade externa e do ambiente de incerteza global.
A valorização da bolsa foi motivada pela entrada de recursos estrangeiros voltados a países emergentes. Investidores que retiraram capital das bolsas dos Estados Unidos, que operaram em queda, buscaram as taxas de juros elevadas no Brasil. A recuperação nos minutos finais do pregão foi garantida pelo desempenho positivo de ações de mineradoras, bancos e petroleiras.
No mercado de câmbio, o cenário foi de pressão. O dólar comercial fechou vendido a 5,375 reais, com alta de 0,3%. Durante a manhã, a moeda americana chegou a atingir 5,40 reais. O movimento reflete o nervosismo global com a escalada das tensões entre o governo de Donald Trump e a União Europeia, após ameaças de novas tarifas comerciais e a crise diplomática sobre a Groenlândia.
A situação internacional agravou-se com a suspensão de um acordo comercial pelo parlamento europeu, em resposta às ameaças de Washington. O governo da França indicou a possibilidade de aplicar retaliações bilionárias contra produtos estadunidenses. Esse cenário de instabilidade fortalece moedas consideradas seguras, elevando a cotação do dólar em diversos mercados mundiais.
Internamente, a expectativa dos investidores se volta para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano, patamar que atrai investidores em busca de rentabilidade fixa, mas que gera debates sobre os custos do crédito no país. A manutenção de juros altos tem servido como um mecanismo para conter a fuga de capitais e controlar a inflação.
O fechamento recorde da B3 mostra uma descorrelação momentânea entre o risco geopolítico e o apetite por ativos brasileiros. Especialistas indicam que o fluxo de capital externo deve continuar dependente da estabilidade das políticas fiscais internas e dos próximos passos das potências globais na guerra comercial que se desenha no hemisfério norte.










































