A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou nesta segunda-feira (5) sua saída da Moratória da Soja, acordo voluntário de 2006 que impedia a comercialização de soja proveniente de áreas desmatadas da Amazônia após 2008. A decisão ocorre após a entrada em vigor de uma lei estadual do Mato Grosso que limita benefícios fiscais para empresas signatárias de acordos que vão além da legislação ambiental.
O pacto, que completaria 20 anos, tinha como objetivo reduzir o desmatamento do bioma amazônico e era apoiado por grandes processadoras de soja e organizações ambientais. A saída da Abiove foi comemorada pelo governador Mauro Mendes, que afirmou que as empresas passam a cumprir apenas a legislação brasileira, principalmente o Código Florestal. A Aprosoja MT, associação local de produtores, também apoiou a validade da lei estadual e criou um fluxo de monitoramento das empresas.
Entidades ambientalistas, como o Greenpeace Brasil, criticaram a decisão, argumentando que o abandono da Moratória pode elevar o desmatamento e prejudicar a imagem do país perante investidores e consumidores internacionais. Segundo estudos preliminares do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o fim do acordo pode aumentar o desmatamento na Amazônia em até 30% até 2045, impactando as metas climáticas brasileiras (NDCs).
Desde a criação do pacto, o monitoramento via satélite indicou aumento de 344% na produção de soja entre 2009 e 2022, enquanto o desmatamento caiu 69%, demonstrando que era possível expandir a produtividade sem avançar sobre áreas preservadas. A decisão da Abiove, portanto, acende alertas sobre riscos ambientais, reputacionais e comerciais para o setor.
A reportagem solicitou manifestação da Abiove sobre a saída da Moratória e aguarda retorno para atualização.










































