Nesta quarta-feira (21), a partir das 17h, acontece o vernissage da exposição “Brasil, Memórias de Guiné e de Urucum”, da artista Margot Paiva, no Sesc Centro Cultural Gladstone, em Porto Velho. A mostra é aberta ao público e propõe uma imersão sensível na ancestralidade afro-brasileira e dos povos originários por meio da pintura contemporânea. O evento conta com a participação especial do músico e percussionista Bira Lourenço, cuja pesquisa sonora dialoga com matrizes afro-brasileiras e ancestrais.
A exposição, que ficará em cartaz até o dia 15 de fevereiro, reúne obras que dignificam as representatividades afro-brasileiras e de povos originários, ressaltando a força simbólica das entidades que habitam a fé, a cultura e a religiosidade do país. Por meio de retratos intensos e expressivos, Margot Paiva constrói um território imagético onde cores, formas e gestos se entrelaçam para afirmar a memória, a resistência e a permanência desses legados na formação da identidade brasileira.
O imaginário proposto pela artista estabelece pontes entre passado e presente, entre o sagrado e o cotidiano, revelando a ancestralidade como força viva e em constante reinvenção. As obras evocam não apenas a beleza estética, mas a potência espiritual e política de um patrimônio cultural que sobreviveu às tentativas de apagamento e segue pulsante nos terreiros, nas expressões artísticas e nas manifestações populares do Brasil.
Um dos destaques da mostra é a técnica desenvolvida pela própria artista: óleo sobre veludo e óleo sobre lamê. A escolha dos suportes carrega significados simbólicos profundos. O veludo cria um jogo de luz e sombra que intensifica a aura sagrada das figuras retratadas, enquanto o lamê, com sua textura metálica, remete à nobreza e à grandiosidade dos arquétipos representados. A materialidade das obras reforça o diálogo entre tradição e contemporaneidade, espiritualidade e linguagem artística atual.
Através do texto curatorial de Marcela Bonfim, mais do que uma experiência visual, “Brasil, Memórias de Guiné e de Urucum” convida o público a uma jornada sensorial e espiritual, onde o sagrado se manifesta também como ato de pertencimento e afirmação cultural. Entre mitos, devoções e símbolos ancestrais, a exposição reafirma a presença africana e dos povos originários como base estrutural da história e da identidade nacional.
Além da exposição, o projeto conta com uma programação educativa, incluindo um Circuito Educativo, com mediação aberta ao público, e cinco oficinas intituladas “Pausa pra resPIRAR”, voltadas a usuários das unidades de saúde mental (CAPS). As oficinas propõem momentos de expressão, respiro e reconexão por meio da arte, ampliando o alcance social e formativo da mostra.
A exposição “Brasil, Memórias de Guiné e de Urucum” se expande através do projeto “Brasil, o maior país africano” contemplado no Edital de Chamamento Público nº 008/2025 – Categoria C, Meta 3 – Mostras da FUNCULTURAL.
A exposição permanece em cartaz até 15 de fevereiro de 2026 na galeria do Sesc Centro Cultural Gladstone Nogueira Frota, localizado na avenida Campos Sales, 2666 – Centro, Porto Velho – RO.







































