Fifa desiste de vender participação em subsidiária após reação de federações

Projeto previa arrecadar até US$ 4,2 bilhões com a venda de 20% de uma empresa que administraria a Copa do Mundo e outros torneios da entidade.

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Fifa desiste de vender participação em subsidiária após reação de federações
Jia Haocheng / POOL / AFP

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A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou que não dará continuidade ao projeto de vender parte de uma subsidiária responsável pela administração de seus principais eventos esportivos. A decisão foi tomada após a proposta enfrentar forte resistência de federações nacionais e entidades do futebol internacional.

O plano previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa avaliada em US$ 20 bilhões, que passaria a administrar competições como a Copa do Mundo da Fifa. A entidade pretendia vender cerca de 20% da nova companhia para investidores privados, com potencial de arrecadar até US$ 4,2 bilhões.

Gianni Infantino afirma que proposta gerou divisões

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que decidiu retirar o projeto após ouvir as manifestações das federações associadas.

Segundo o dirigente, o objetivo da proposta era fortalecer a entidade, mas a repercussão mostrou que ela acabou provocando divisões internas.

“Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, não atendem mais ao objetivo estabelecido inicialmente.”

Infantino acrescentou que a missão da Fifa continua sendo promover a união entre as associações nacionais de futebol.

Uefa liderou críticas ao projeto

A proposta encontrou resistência imediata da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), responsável pela organização do futebol europeu.

A entidade criticou duramente a possibilidade de investidores privados adquirirem participação na empresa que administraria a Copa do Mundo e outros ativos comerciais da Fifa.

Em nota anterior, dirigentes europeus afirmaram que o projeto colocaria a “alma” do futebol à venda.

Projeto também provocou crise interna

Além das críticas externas, a proposta gerou repercussão dentro da própria Fifa.

Carlos Cordeiro, assessor sênior de Gianni Infantino, apresentou renúncia em protesto contra o plano.

Já o diretor de operações da entidade, Kevin Lamour, afirmou que a equipe foi surpreendida pela iniciativa e classificou a proposta como um “projeto de uma só pessoa”, em referência ao presidente da Fifa.

Fundo norte-americano lideraria grupo de investidores

Caso fosse aprovado, o projeto previa que a empresa Thrive Eternal, administrada pela gestora Thrive Capital, liderasse o grupo de investidores interessados na aquisição da participação.

A empresa foi fundada por Joshua Kushner, empresário norte-americano e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo a Fifa, a operação somente avançaria caso obtivesse apoio da maioria das federações filiadas, condição que acabou não sendo alcançada.

O que muda após a decisão

Com o recuo, a Fifa mantém sob administração direta seus principais ativos comerciais, incluindo a Copa do Mundo e demais competições internacionais organizadas pela entidade.

Até o momento, a organização não informou se pretende apresentar uma nova proposta de reorganização financeira ou buscar outras alternativas para ampliar receitas futuras.

Perguntas frequentes

O que a Fifa pretendia vender?

A entidade planejava vender cerca de 20% de uma subsidiária criada para administrar seus principais eventos, incluindo a Copa do Mundo.

Quanto valeria a nova empresa?

A Fifa avaliava a Fifa Forward Enterprise (FFE) em aproximadamente US$ 20 bilhões.

Por que o projeto foi cancelado?

A proposta enfrentou forte oposição de federações nacionais, especialmente da Uefa, além de críticas internas dentro da própria Fifa.

A Copa do Mundo continua sob controle da Fifa?

Sim. Com a desistência do projeto, a administração dos torneios permanece integralmente sob responsabilidade da entidade.

Com informações de Ian Ransom, Aadi Nair e Rohith Nair – Repórteres da Reuters.

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