Viajar sempre foi um sonho. Antes de existirem as mídias sociais, eu já mergulhava nas matérias da revista Viagem e Turismo. Fui assinante assídua por muitos anos. E queria sim estar naqueles cenários mundiais: Templo da Sagrada Família, Torre Eiffel, Cristo Redentor, Big Ben… Mas, sinceramente, o que fica além das fotos? As experiências que tive nesses lugares ainda permeiam claramente minhas memórias. A descoberta do queijo Camembert pela apresentação do garçom em Paris ou o aroma do waffle de chocolate nas vias de Bruxelas. Ah, quando fiz intercâmbio na capital da Catalunha, seguia a pé para minha escola pelo caminho mais longo, sem pressa, para observar pessoas indo ao trabalho em uma larga calçada encoberta por um túnel de árvores. Do outro lado da rua, janelas desiguais, clássicas e de cores distintas. Um espetáculo que não se repete, mas sempre relembrado.
E que tal um jantar em Costa Brava, no Palácio de Bonmatí, convidada pela classmate, que estava na casa da prima, casada com um espanhol nativo desta dinastia? Tem experiência melhor que colher azeitonas em oliveira para o jantar? É sobre isso que esta coluna irá pautar: você tem aproveitado mais os cartões-postais ou os elementos de suporte para esses destinos? Vamos falar sobre como o grande diferencial competitivo de mercado entendeu que, no novo milênio, o viajante não quer ser apenas um espectador, mas o protagonista da sua própria jornada.
Diferente do turismo tradicional, focado apenas no funcional e no racional, o turismo de experiência mexe com o envolvimento emocional com propósito. O turista atual não busca um restaurante apenas porque está com fome. Ele espera que aquela refeição seja uma vivência memorável, que ative os sentidos e gere engajamento. Estudiosos apontam que vivemos a “Economia da Experiência”, onde o consumidor busca satisfazer novidades que estimulem o paladar, o tato, a visão e, principalmente, o sentimento de pertencer àquele local.
Para os pequenos negócios, essa é a oportunidade de ouro. A flexibilidade dessas empresas permite criar produtos autênticos, enraizados na cultura local, algo que grandes redes dificilmente conseguem replicar. O segredo, muitas vezes, está na realidade local: uma pesca artesanal em rios e igarapés, utilizando técnicas passadas de geração em geração, caminhadas interpretativas pelo mato, identificando plantas medicinais e aprendendo seus usos com um nativo local, acompanhamento do preparo de receitas típicas, como o tacacá ou o bolo de macaxeira. O foco é o quanto esse destino ficará na memória do turista em tudo o que ele vivenciou no local. Será que foi uma boa experiência?
O turismo de experiência não depende exatamente de uma infraestrutura adequada, mas sim, essencialmente, de como a condução da vivência ofertada vai transformar a percepção do visitante. O guia de turismo, o condutor local, agências de receptivo turístico, lojas, restaurantes e mobilidade urbana, toda engrenagem importa. Lembro da primeira vez que fui ao carnaval de Salvador. Mencionei minha “estreia” ao motorista e ele automaticamente ligou o som na música: “Ah, que bom você chegou, bem-vindo a Salvador, coração do Brasil…”.

Na Amazônia, essa experiência é bastante sensorial. No Flutuante Pelicano, no Rio Verde, permita-se deitar no deck em uma noite estrelada e ver a mágica acontecer. Um alvorecer no meio do Lago do Cuniã com a condução de um nativo, acompanhando o silêncio “barulhento” da floresta. Casos como o Restaurante do Seu Jorge, que criou uma gastronomia beradeira autêntica, ou em Jaci-Paraná, quando um ceviche é preparado na hora pelo próprio condutor de pesca no majestoso pôr do sol furta-cor, provam que o diferencial não está no luxo material, mas na hospitalidade genuína. Pesquisas da Embratur revelam que 70% dos operadores internacionais buscam exatamente essas experiências comunitárias.
Para os empreendedores, a mensagem é clara: o turismo de experiência não é exatamente sobre a forma como o turista vai ver aquele local, mas como você vai apresentar e transformar serviços em momentos marcantes, conexão emocional com aquele destino e, principalmente, a forma como você agrega valor para que a sua marca seja, de fato, reconhecida e lembrada no mercado competitivo.









































