Desde os anos 1990, Doom se tornou mais do que um jogo: é um verdadeiro teste de criatividade técnica. Ao longo das décadas, hackers e entusiastas conseguiram rodar o clássico shooter em calculadoras, geladeiras, testes de gravidez, tratores e até arquivos PDF. O mais recente desafio levou o jogo para um território inusitado: fones de ouvido sem qualquer tipo de tela.
O experimento, chamado informalmente de Doombuds, foi desenvolvido pelo programador Arin Sarkisan, que adaptou Doom para PineBuds Pro, fones com firmware open source e kit de desenvolvimento mantido pela comunidade. A abertura técnica desses earbuds permitiu explorar possibilidades que não seriam viáveis em fones convencionais.
Em vez de exibir gráficos no próprio dispositivo — inexistentes nos earbuds —, Sarkisan criou uma solução indireta: o hardware dos fones processa o jogo e envia os dados visuais para um servidor web, contornando a ausência de tela.
Como funciona a adaptação
Sarkisan desenvolveu uma interface em JavaScript que se comunica com os PineBuds Pro pelos contatos UART do hardware, usados normalmente para depuração. O sistema transmite um fluxo de vídeo compressão MJPEG via ponte serial, alcançando cerca de 2,4 MB por segundo, suficiente para gerar 22 a 27 quadros por segundo.
No entanto, o verdadeiro limite está no processador dos fones, que consegue rodar Doom a aproximadamente 18 quadros por segundo. Apesar de não ser jogável de forma tradicional, o projeto cumpre seu objetivo: provar que Doom pode rodar em quase qualquer dispositivo com acesso ao hardware.
O experimento reforça a cultura hacker em torno de Doom e do software livre, mostrando como dispositivos de áudio podem ser usados de maneiras inesperadas quando há código aberto e criatividade técnica.
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