A “novela” entre a ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, e os Estados Unidos chegou ao fim. A operação da plataforma nos EUA foi vendida nesta quinta-feira (22) — um dia antes do prazo final estabelecido para que o aplicativo fosse banido no país —, transferindo o controle para um consórcio liderado por investidores norte-americanos.
A nova configuração da empresa deve atender às exigências de segurança nacional dos EUA, separando a gestão dos dados do algoritmo dos usuários estadunidenses da matriz da ByteDance. “A joint venture, com participação majoritária de empresas americanas, operará sob salvaguardas que protegem a segurança nacional por meio de proteção abrangente de dados, segurança de algoritmos, moderação de conteúdo e garantias de software para usuários dos EUA”, afirmou o TikTok em comunicado oficial.
O TikTok foi vendido?
Sim, mas apenas nos EUA. A operação em território norte-americano foi reestruturada sob uma nova entidade, a “TikTok USDS Joint Venture LLC”. O acordo avaliou o negócio nos EUA em cerca de US$ 14 bilhões, um valor considerado baixo por analistas, visto que a receita anual da empresa na região gira em torno desse mesmo montante apenas com publicidade.
A divisão acionária da nova empresa ficou dividida da seguinte forma:
- Investidores gestores (45%): grupo formado pela gigante de tecnologia Oracle, pela firma de private equity Silver Lake e pela empresa de investimentos MGX, dos Emirados Árabes Unidos. Cada uma detém 15% de participação.
- ByteDance (19,9%): a companhia chinesa, controladora original do aplicativo, manterá uma fatia minoritária na nova operação, como estabelecido pelos EUA para que continuasse operando.
- Outros investidores (cerca de 35%): o restante da participação ficará com investidores diversos, incluindo o escritório da família de Michael Dell, fundador da Dell Technologies.
A nova companhia terá Adam Presser como CEO — que já ocupou cargos no TikTok anteriormente —, e um conselho de administração composto por sete membros, cuja maioria são cidadãos dos EUA.
Por que o TikTok vendeu a operação nos EUA?
A venda é o desfecho de uma pressão iniciada ainda em 2020, último ano do primeiro mandato de Donald Trump, motivada pelo temor de que a China pudesse acessar dados de cidadãos estadunidenses ou manipular o algoritmo da plataforma para fins de influência política.
O cenário tomou forma em 2024, quando o Congresso dos EUA aprovou a lei “Protecting Americans from Foreign Adversary Controlled Applications Act”, sancionada pelo presidente Joe Biden. O pacote de leis incluía a exigência de que a ByteDance vendesse o TikTok ou enfrentasse um bloqueio total no país.
O banimento estava programado para entrar em vigor em janeiro de 2025, e, na véspera da data limite, o app chegou a sair do ar. O serviço foi restaurado após Trump, recém-eleito, prometer reverter a proibição. O político usou o app como um dos seus principais meios de comunicação durante a campanha presidencial, publicando diversos vídeos na rede.
Ao todo, foram quatro adiamentos da administração do republicano enquanto negociavam uma venda. Até que, em setembro do ano passado, a Casa Branca e Pequim assinaram um acordo preliminar pavimentando o caminho para a assinatura final desta semana.
O TikTok não será mais bloqueado nos EUA?
Com a finalização do acordo, o bloqueio foi evitado. A transação foi concluída justamente para cumprir os requisitos legais antes que a ordem de proibição entrasse em vigor nesta sexta-feira (23).
Trump comemorou o desfecho em sua rede social, Truth Social, agradecendo ao presidente chinês Xi Jinping pela aprovação do negócio e afirmando estar “feliz por ter ajudado a salvar o TikTok”. A nova estrutura garante que o aplicativo continue disponível para os mais de 200 milhões de usuários nos Estados Unidos sem interrupções.
O que muda na rede social?
A principal mudança está no algoritmo de recomendação. A nova empresa licenciou o algoritmo da ByteDance, mas ele será treinado novamente utilizando apenas dados de usuários dos EUA.
Toda a infraestrutura de dados e o algoritmo ficarão hospedados no ambiente de nuvem da Oracle, que atuará como parceira de segurança responsável por auditar e validar o cumprimento das normas de proteção de dados.
Especialistas apontam que essa separação pode ter efeitos práticos na experiência do usuário. Como o sistema será treinado em um conjunto de dados isolado, existe a possibilidade de o aplicativo se tornar “mais lento” ou oferecer recomendações menos precisas em comparação com a versão global anterior.
E no Brasil?
Nada mudará na operação e estrutura do TikTok no Brasil, que continua sob o guarda-chuva da “TikTok Global”, controlada pela ByteDance. Apesar da separação técnica e administrativa nos EUA, a plataforma garantiu que manterá a interoperabilidade do sistema.
Em comunicado, o TikTok afirmou que o aplicativo continuará operando como uma “experiência global”, permitindo que criadores dos Estados Unidos sejam descobertos por usuários de outros países e vice-versa. Para o usuário brasileiro, o acesso ao conteúdo produzido nos EUA deve permanecer inalterado, e o funcionamento do aplicativo no Brasil segue sem mudanças estruturais decorrentes deste acordo.
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