Exercício físico deve ser prescrito como tratamento médico para a saúde cerebral, defendem cientistas

Pesquisadores de universidades canadenses afirmam que atividade física precisa ter dosagem, frequência e acompanhamento como qualquer medicamento.

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Exercício físico deve ser prescrito como tratamento médico para a saúde cerebral, defendem cientistas
© José Cruz/Agência Brasil

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A prática regular de exercício físico deve deixar de ser tratada como uma simples recomendação geral de estilo de vida e passar a ser prescrita formalmente por médicos como tratamento indispensável para a saúde cerebral. A conclusão é de um estudo publicado nesta terça-feira, dia 3 de novembro de 2026, na revista científica Brain Health, assinado pelos pesquisadores Carl Zhou e Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, e Stanley Wong, da Universidade de Toronto, no Canadá.

De acordo com os especialistas dos departamentos de psiquiatria de ambas as instituições, o exercício físico não pode ser visto como uma sugestão secundária a ser descartada no final de uma consulta médica, mas sim como uma intervenção terapêutica estruturada. O estudo destaca que a saúde cerebral engloba a manutenção das funções cognitivas, emocionais, comportamentais e sociais ao longo de toda a vida, e que a atividade física regular impacta diretamente praticamente todas essas dimensões da vida humana.

A fundamentação do artigo apoia-se na análise detalhada de diversas pesquisas que comprovam a ação biológica do exercício sobre o cérebro. Para funcionar de maneira otimizada, o órgão depende de vasos sanguíneos saudáveis, metabolismo equilibrado, controle de processos inflamatórios e estimulação da neuroplasticidade. Entre os experimentos citados, destaca-se um ensaio clínico realizado com adultos mais velhos que demonstrou que a prática de exercícios aeróbicos promoveu o aumento do volume do hipocampo anterior, estrutura cerebral decisiva para a retenção e o aprimoramento da memória.

Diante do volume de evidências acumuladas, os cientistas defendem uma mudança profunda na abordagem clínica. Segundo Carl Zhou, o modelo ideal exige uma receita médica detalhada que especifique o modalidade da atividade, a frequência semanal, a intensidade dos movimentos, a duração das sessões, as orientações de segurança e um plano contínuo de acompanhamento, nos mesmos moldes da prescrição de um fármaco convencional.

As análises apresentadas no artigo revelam ainda que as intervenções com atividades físicas trazem impacto direto e expressivo na redução de sintomas depressivos, episódios de ansiedade, sofrimento psicológico e desfechos associados ao suicídio. Uma revisão de ensaios clínicos publicada em 2024 aponta que modalidades diversificadas como caminhada, corrida, ioga e treinamento de força foram eficazes para abrandar a depressão, sendo que os resultados mais expressivos ocorreram em treinos desenvolvidos sob maior intensidade.

O estudo dedica atenção especial a quadros de esquizofrenia e outros transtornos mentais graves, populações que historicamente registram índices elevados de sedentarismo, complicações cardiometabólicas e mortalidade precoce. Segundo o pesquisador Stanley Wong, a prática do exercício atua de maneira simultânea na atenuação dos sintomas psiquiátricos, no resgate cognitivo e na reabilitação da saúde física geral, atendendo a demandas urgentes dessas populações vulneráveis.

Apesar dos parâmetros fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou 75 a 150 minutos de exercícios vigorosos, acompanhados de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias, os pesquisadores enfatizam que o ponto de partida deve respeitar as condições individuais. Para pacientes diagnosticados com depressão profunda, em que a falta de energia e de motivação é severa, metas pequenas como caminhadas de cinco minutos ou exercícios adaptados na cadeira já constituem um início válido para construir hábitos sustentáveis.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que defendem os pesquisadores das universidades de Ottawa e Toronto?
Os cientistas defendem que o exercício físico deve ser prescrito formalmente por médicos como tratamento para a saúde cerebral, com critérios definidos de tipo, duração e intensidade, e não tratado apenas como um conselho genérico de estilo de vida.

Quais são os principais benefícios biológicos do exercício no cérebro citados pela pesquisa?
A atividade física melhora a circulação nos vasos sanguíneos cerebrais, auxilia no equilíbrio metabólico, reduz processos inflamatórios, estimula a neuroplasticidade e pode aumentar o volume do hipocampo anterior, favorecendo a memória.

Como a prática de exercícios auxilia no tratamento da depressão e da ansiedade?
Pesquisas analisadas no estudo mostram que modalidades como caminhada, corrida, ioga e musculação reduzem significativamente os sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico, apresentando resultados ainda mais expressivos em treinos de maior intensidade.

Qual é a recomendação da OMS e como ela deve ser aplicada em casos graves?
A OMS orienta entre 150 e 300 minutos semanais de atividade moderada ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa. No entanto, para pacientes com depressão ou limitações graves, os especialistas recomendam iniciar com passos curtos, como caminhadas de 5 minutos, para gradualmente estabelecer o hábito.

 

Com informações de Lusa

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