O vírus Nipah, um agente infeccioso zoonótico transmitido de animais para humanos, causou um novo surto na província de Bengala Ocidental, na Índia. Pelo menos cinco profissionais de saúde foram diagnosticados com a doença, levando países vizinhos como Tailândia, Nepal e Taiwan a reforçarem o controle sanitário em aeroportos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus pode causar desde sintomas respiratórios agudos até encefalite fatal, com taxas de letalidade estimadas entre 40% e 75%.
Apesar do alerta na Ásia, especialistas brasileiros avaliam que o potencial do Nipah para causar uma pandemia global é considerado pequeno. Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que fatores ambientais e as formas específicas de transmissão limitam o alcance do vírus em comparação a outros micro-organismos. O reservatório natural do vírus é o morcego frugívoro do gênero Pteropus, e a infecção ocorre principalmente pelo consumo de alimentos contaminados com saliva ou urina desses animais.
Os sintomas iniciais da doença incluem febre, dor de cabeça, mialgia e vômitos, podendo evoluir para tonturas, sonolência e sinais neurológicos graves. O período de incubação médio varia de 4 a 14 dias, mas pode chegar a 45 dias em casos excepcionais. Como não existem vacinas ou medicamentos específicos para o Nipah, o tratamento é baseado exclusivamente em suporte intensivo para as complicações respiratórias e neurológicas.
Para prevenir o contágio, a OMS recomenda medidas rigorosas de higiene, como lavar e descascar frutas minuciosamente e evitar o consumo de produtos com sinais de mordidas de morcegos. Em ambientes hospitalares, o contato próximo com secreções de pacientes infectados deve ser evitado, e o uso de equipamentos de proteção é indispensável. A conscientização sobre os riscos e o controle do contato com animais hospedeiros continuam sendo as principais ferramentas de combate à doença.








































